Cada modelo Sukhoi Superjet 100 custa cerca de US$ 35 milhões (Sukhoi)

Cada modelo Sukhoi Superjet 100 custa cerca de US$ 35 milhões (Sukhoi)

O Sukhoi Superjet 100 (SSJ 100) é um avião moderno, equipado com a tecnologia fly-by-wire, e que disputa o mercado na categoria para até 108 assentos, o que o coloca como concorrente direto de algumas aeronaves da família E-Jet, da Embraer, e CSeries, da Bombardier, atuais líderes desse segmento.

Seu desenvolvimento foi iniciado no ano 2000, e o objetivo era produzir uma aeronave inteiramente nova e que se adaptasse às necessidades dos clientes mais exigentes. Além da configuração para uso comercial, o SSJ 100 também pode ser convertido em jato executivo.

Fugindo totalmente do antigo padrão soviético, onde a cor predominante na cabine de comando era o tradicional verde claro, e não possuindo os ainda mais tradicionais ventiladores de teto característicos das aeronaves da Tupolev, o SSJ 100 ganhou um glass cockpit no “estado da arte”.

O primeiro voo comercial da aeronave foi realizado em 21 de abril de 2011, na rota entre Lerevan e Moscou, em uma aeronave operada pela companhia aérea armena Armavia.

Na Aeroflot, principal empresa aérea da Rússia, as operações, que foram iniciadas em junho de 2011, não começaram muito bem. Após o recebimento de um dos primeiros SSJ 100, uma peça de um equipamento de segurança da aeronave quebrou, levando a Sukhoi a revisão o avião. Em 2013, a Aeroflot chegou a divulgar que estava insatisfeita com o desempenho da aeronave, afirmando que em 2012 o SSJ 100 havia sido responsável por 40% das falhas listadas em toda sua frota.

A Armavia foi a primeira empresa a apostar no SSJ 100 (Divulgação)

A Armavia foi a primeira empresa a apostar no SSJ 100 (Divulgação)

Em 9 de maio de 2012, praticamente um ano após o início das operações comerciais com a aeronave, um Sukhoi Superjet 100 com 45 passageiros a bordo, todos convidados para um voo de demonstração, desapareceu 21 minutos após a decolagem em Jacarta, na Indonésia. No dia seguinte, quando foram encontrados os destroços, descobriu-se que a aeronave havia se chocado com uma montanha. Não houve sobreviventes. Mais tarde foi apurado que acidente foi causado por erro humano. Ainda assim, todos esses problemas mostram o difícil caminho que a SuperJet International, responsável pela venda da aeronave, tem diante de si para convencer as companhias aéreas ocidentais a comprar aviões fabricados por uma companhia estatal russa.

A Sukhoi é famosa pelos caças que produz, como o Su-35 (Sukhoi)

A Sukhoi é famosa pelos caças que produz, como o Su-35 (Sukhoi)

Apesar de não ter começado bem, para conseguir sobreviver nesse concorrido mercado, o fabricante apostou na modernidade dos componentes empregados na aeronave, o que propicia um alto desempenho, e um baixo custo de operação. O SSJ 100 é propulsionado por dois turbofans PowerJet SaM146, produzidos pela joint venture franco-russa Snecma e NPO Saturn.

A indústria de aviação russa tem sido afetada há tempos por problemas de segurança, quebras e acidentes fatais, tornando-a, com raríssimas exceções, incapaz de vender seus aviões fora da ex-União Soviética, Irã, Cuba e partes da África.

A Aeroflot, empresa estatal russa, tem a maior frota de SSJ 100, com 20 unidades (Aeroflot)

A Aeroflot, empresa estatal russa, tem a maior frota de SSJ 100, com 20 unidades (Aeroflot)

As encomendas do Sukhoi Superjet 100, segundo as autoridades russas, incluindo os números do festival de aviação MAKS 2015, em Moscou, totalizam 343 encomendas firmes, com opções para 120 unidades adicionais, e 65 aeronaves já entregues.

Em números de junho de 2015, considerando apenas a família E-Jet, a Embraer possuía 1.401 encomendas firmes, com opções para 456 unidades adicionais, e 1.137 aeronaves entregues.

Apesar de ainda deter uma pequena fatia desse mercado, atualmente liderado pela Embraer, o jato russo tem maiores chances de conquistar clientes baseados próximos a Rússia, como aconteceu recentemente com uma empresa do Cazaquistão. A companhia SCAT rejeitou aeronaves da empresa brasileira e também da Bombardier devido aos menores custos alfandegários e facilitada de manutenção na região. Pode ser o começo de algo grande.

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Fonte: Cavok