A Air India viu sua crise operacional e financeira se agravar perto do primeiro aniversário do acidente com um Boeing 787-8 Dreamliner em junho do ano passado, que caiu nas proximidades de Ahmedabad, matando 260 pessoas. As causas permanecem oficialmente sem esclarecimento, segundo reportagem da BBC.
O Bureau de Investigação de Acidentes Aeronáuticos da Índia (AAIB) deve divulgar o relatório final no próximo mês, quase um ano após o voo AI171, com destino a Londres, cair segundos após a decolagem.
O acidente foi o primeiro com vítimas fatais envolvendo um Boeing 787 e imediatamente colocou os planos de modernização e expansão da Air India sob forte questionamento.
Desde então, a companhia tem sido alvo de críticas na Índia quanto à velocidade e transparência da investigação, enquanto informações preliminares e interpretações não oficiais circularam publicamente antes da divulgação das conclusões finais.

A crise também coincidiu com grandes dificuldades internas na companhia, privatizada em 2022 após décadas sob controle estatal e adquirida pelo Grupo Tata.
Após a privatização, a Air India iniciou um ambicioso processo de reestruturação, com grandes encomendas de aeronaves, planos de renovação de frota e expansão de malha para recuperar competitividade frente a companhias do Golfo e outros concorrentes asiáticos.
No entanto, a empresa enfrenta atrasos nas entregas de aeronaves devido a problemas na cadeia de suprimentos, redução de rotas e aumento dos custos operacionais relacionados ao preço do combustível e à desvalorização da moeda.
Subsidiária deficitária do Grupo Tata
Segundo a BBC, a Air India registrou prejuízo de cerca de US$ 2,4 bilhões no exercício encerrado em março de 2026, tornando-se a maior empresa deficitária do portfólio do Grupo Tata.
O artigo também informa que o CEO Campbell Wilson renunciou no mês passado, em meio à crescente pressão sobre o desempenho financeiro e operacional da companhia.

Nos últimos meses, a Air India também foi alvo de questionamentos sobre incidentes operacionais e apontamentos regulatórios. A autoridade de aviação civil da Índia identificou dezenas de violações relacionadas à segurança em auditorias, enquanto alguns voos de longa distância sofreram interrupções por questões operacionais e regulatórias.
A estratégia de reestruturação da companhia também foi impactada por tensões geopolíticas e restrições de espaço aéreo em regiões do Oriente Médio, aumentando a complexidade operacional em rotas internacionais.
Atualmente, a Air India conduz um dos maiores programas de renovação de frota do mundo, com encomendas de Airbus A350, aeronaves da família A320neo, Boeing 737 MAX e 787 Dreamliner, com o objetivo de modernizar uma frota que por anos sofreu com falta de investimentos e padrões de manutenção irregulares sob gestão estatal.
