A American Airlines concluiu um investimento de US$ 100 milhões na Azul e passou a deter aproximadamente 8% da companhia aérea brasileira. A operação foi consumada após a empresa americana exercer todos os bônus de subscrição que havia recebido no processo de reestruturação da Azul.

Os bônus funcionavam, na prática, como direitos para comprar ações da Azul por condições previamente estabelecidas. Eles foram criados durante a reorganização da companhia sob o Chapter 11 nos Estados Unidos e reservados à American como instrumento para realizar o investimento de US$ 100 milhões acordado no início deste ano.

A operação dependia, porém, da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Por isso, embora os bônus já estivessem previstos desde fevereiro, a American ainda não havia feito o investimento nem recebido as ações.

O processo ganhou uma complicação adicional porque os acionistas da Azul tinham direito de preferência sobre os bônus. Parte desses direitos acabou exercida por outros investidores, o que obrigou a companhia a ajustar a quantidade e a estrutura dos títulos destinados à American para preservar os termos do acordo.

Com a aprovação do Cade em outubro, a última condição relevante foi cumprida. A American então exerceu os bônus restantes e pagou os US$ 100 milhões previstos no acordo. Em troca, recebeu 31.838.775 novas ações ordinárias da Azul.

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Após a emissão, a Azul passou a ter 400.829.250 ações ordinárias em circulação. A participação da American corresponde, portanto, a cerca de 7,94% desse total, arredondados pela companhia para aproximadamente 8%.

John Rodgerson, CEO da Azul
John Rodgerson, CEO da Azul

Os números trilionários que aparecem no fato relevante divulgado pela Azul são consequência da estrutura adotada para os bônus e do posterior grupamento das ações da companhia. No caso dos títulos da Série 1, cada conjunto de 150 mil bônus dava direito à subscrição de uma ação. Por isso, os 3,958 trilhões de bônus exercidos pela American não correspondem a trilhões de ações.

Também não deve ser confundido com o investimento da American o aumento de capital de R$ 512,8 milhões anunciado pela Azul. Esse valor reúne todos os bônus exercidos naquela ocasião, inclusive por outros investidores. A parcela contratada especificamente com a American foi de US$ 100 milhões.

A entrada da American no capital da Azul também provocou uma mudança imediata no Conselho de Administração. John Rodgerson deixou sua posição como conselheiro e integrante do Comitê Estratégico, mas permanece como CEO da companhia.

Sua cadeira foi assumida por Jeff Ogar, Head de Parcerias com Companhias Aéreas da American desde 2023. O executivo também integra o Conselho de Administração da JetSMART, companhia aérea sul-americana na qual a American mantém participação.