Investigadores encontraram restos e penas de ave dentro do motor do Boeing 737-800 da Ryanair envolvido em um acidente sobre a Grécia no mês passado, no qual um passageiro foi parcialmente sugado por uma janela quebrada.

Segundo relatório preliminar do National Transportation Safety Board (NTSB) dos Estados Unidos, uma pá do fan se soltou do motor direito pouco após a aeronave decolar de Tessalônica em 10 de julho. Destroços do motor atingiram a fuselagem e o estabilizador horizontal, e um fragmento quebrou uma janela na fileira 11.

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O Boeing 737-800, matrícula 9H-QEU e operado pela Malta Air em nome da Ryanair, fazia o voo de Tessalônica para Memmingen, Alemanha. A aeronave subia a cerca de 16.000 pés (4.880 m) quando a tripulação detectou forte vibração no motor e os passageiros ouviram um estrondo alto.

A janela quebrada provocou despressurização rápida. Um passageiro de 61 anos, sentado ao lado da janela, foi parcialmente sugado para fora antes que sua esposa e outros passageiros conseguissem puxá-lo de volta para dentro da cabine. Ele sofreu lesões no pescoço e ombro, além de queimaduras por fricção.

Comissários também relataram vibração alta e contínua e pequena quantidade de fumaça ou névoa antes da liberação das máscaras de oxigênio. Os pilotos retornaram a Tessalônica, onde a aeronave pousou em segurança cerca de uma hora após a decolagem.

Evidências de impactos anteriores com aves

A investigação encontrou restos de ave em componentes do motor número 2. Mais relevante, o mesmo motor esteve envolvido em outros quatro possíveis impactos com aves nos 12 meses anteriores. Restos de ave foram identificados em dois desses eventos.

Inspeções de manutenção realizadas após os incidentes anteriores não detectaram danos. As pás do ventilador do motor também passaram por inspeções ultrassônicas em novembro de 2025 e maio de 2026 sem que fossem encontrados defeitos.

Jato da Gol vítima de um "bird strike" em 2015 (Divulgação)
Jato da Gol vítima de um "bird strike" em 2015 (Divulgação)

Investigadores recuperaram três fragmentos soltos de pás do ventilador do motor danificado. O NTSB ainda não determinou se a ingestão de ave causou diretamente a fratura da pá, e a investigação segue em andamento.

O CEO da Ryanair, Michael O'Leary, já havia afirmado que informações preliminares indicavam dano por objeto estranho no motor, embora tenha alertado na ocasião que a causa ainda não estava estabelecida.

O acidente apresenta semelhanças com falhas anteriores envolvendo motores CFM56 em Boeing 737 Next Generation. No acidente do voo 1380 da Southwest Airlines em 2018, uma falha em pá do ventilador lançou destroços na fuselagem e quebrou uma janela. Uma passageira foi parcialmente sugada pelo vão e morreu em decorrência dos ferimentos.

A Federal Aviation Administration dos Estados Unidos emitiu três diretivas de aeronavegabilidade em 2025 exigindo modificações para reduzir a possibilidade de destroços do motor atingirem a fuselagem após falha em pá do ventilador.

O 737 da Malta Air ainda não havia recebido as principais modificações exigidas por essas diretivas. O prazo para operadores concluírem o trabalho é julho de 2028, e o NTSB não relacionou a ausência das modificações ao acidente de julho.

A aeronave envolvida é um Boeing 737-800 de 18 anos, número de série 36569. O avião realizou seu primeiro voo em 7 de março de 2008 e foi entregue originalmente à Ryanair ainda naquele mês como EI-DYF. Foi transferido para a Malta Air e registrado como 9H-QEU em setembro de 2022. O 737 tem configuração para 189 passageiros e, segundo registros de frota, voltou à operação em 8 de agosto, menos de um mês após o acidente.