A Administração Federal de Aviação (FAA) determinou inspeções em algumas aeronaves Boeing 787 Dreamliner devido ao risco de trincas por fadiga relacionadas a discrepâncias de fabricação em uma área estruturalmente importante do avião.

A diretriz final de aeronavegabilidade, publicada nesta quarta-feira, 26 de agosto, abrange determinados modelos 787-8, 787-9 e 787-10 e resulta de uma investigação conduzida pela Boeing sobre erros de fabricação envolvendo as placas de emenda na parte inferior da fuselagem, associadas aos revestimentos externos inferiores das asas.

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Segundo a FAA, a Boeing identificou que folgas que exigem calços entre componentes estruturais podem ter excedido as tolerâncias de engenharia. Forças elevadas aplicadas ao unir esses componentes durante a montagem poderiam, consequentemente, criar condições para o surgimento de trincas por fadiga ao redor dos furos dos fixadores.

O problema não é recente. A Boeing emitiu um Boletim de Requisitos de Alerta sobre a estrutura afetada em agosto de 2025, e a FAA propôs tornar as inspeções obrigatórias em março de 2026. A ação desta quarta-feira conclui esse processo regulatório.

Asa de um Boeing 787-9
Asa de um Boeing 787-9 | Boeing

A diretriz exige diferentes tipos de inspeção conforme a configuração de cada aeronave afetada. Entre elas estão inspeções ultrassônicas repetidas nas placas de emenda e outros componentes da estrutura da asa, além de inspeções visuais detalhadas e reparos caso sejam detectadas trincas.

FAA alerta para consequências estruturais

A FAA afirmou que trincas por fadiga não detectadas podem continuar a crescer e, eventualmente, enfraquecer a estrutura primária da asa a ponto de não mais suportar a carga limite de projeto, o que pode comprometer a segurança do voo e do pouso.

A área envolvida está localizada na parte inferior da fuselagem, onde elementos estruturais principais da asa se conectam à seção central da aeronave. A diretriz representa mais um capítulo no trabalho contínuo da Boeing para solucionar questões de fabricação e calçamento no 787.

Problemas envolvendo folgas entre estruturas compostas se tornaram um tema relevante no programa Dreamliner no início da década. A Boeing suspendeu entregas por vários meses em 2020 e voltou a enfrentar longas interrupções enquanto a FAA revisava processos de fabricação e inspeção.

Korean Air 787-9
Korean Air 787-9 | airbus777

A exigência mais recente, porém, refere-se a uma localização estrutural específica e não deve ser interpretada como uma nova constatação que afete toda a frota do 787. A proposta da FAA em março se aplicava apenas às aeronaves identificadas no boletim de serviço da Boeing de agosto de 2025.

A investigação da Boeing concluiu que a combinação de folgas excessivas nos calços e forças elevadas de pré-carga na montagem pode criar a condição de fadiga. As inspeções têm o objetivo de detectar eventuais trincas antes que atinjam um nível que comprometa a integridade estrutural.