Boeing evita processo criminal nos EUA com acordo bilionário sobre acidentes com o 737 MAX
Fabricante se compromete a pagar mais de US$ 1,1 bilhão para encerrar acusações ligadas às duas tragédias com o modelo

A Boeing firmou nesta sexta-feira, 23, um acordo preliminar com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) para evitar um processo criminal envolvendo os dois acidentes fatais com o 737 MAX ocorridos na Indonésia em 2018 e na Etiópia em 2019 e que resultaram em 346 mortes.
O novo acordo prevê que a fabricante norte-americana pague mais de US$ 1,1 bilhão (cerca de R$ 6,2 bilhões), valor que será dividido entre uma multa criminal de US$ 487,2 milhões (com crédito de US$ 243,6 milhões já pagos no acordo anterior de 2021), compensações adicionais de US$ 444,5 milhões às famílias das vítimas, e US$ 455 milhões destinados à melhoria de seus programas internos de segurança, controle de qualidade e conformidade.
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Em troca, o governo dos EUA suspende as acusações de fraude contra a empresa, evitando uma condenação criminal que poderia comprometer a capacidade da Boeing de manter contratos com o governo, incluindo o Pentágono e a NASA.
A reabertura do caso ocorreu após o incidente com um 737 MAX 9 da Alaska Airlines em 2024, que reacendeu preocupações sobre a segurança do modelo e o cumprimento dos compromissos assumidos pela fabricante. O acordo ainda precisa ser validado por um juiz federal.

Reações dos familiares
O acerto gerou críticas por parte de parlamentares e familiares das vítimas, que acusam o governo de “poupar a Boeing de responsabilidade criminal real”. Algumas famílias devem contestar judicialmente o acordo, que ainda precisa ser aprovado por um juiz federal para entrar em vigor.
A Boeing afirmou que continua comprometida com a segurança, a transparência e o fortalecimento de seus processos internos após os graves erros do passado.