A Boeing enfrenta a possibilidade de mais uma grande disputa trabalhista após engenheiros e técnicos nos Estados Unidos rejeitarem novas propostas de contrato de quatro anos e autorizarem de forma expressiva o sindicato a convocar greve caso as negociações fracassem.

Os membros da Society of Professional Engineering Employees in Aerospace (SPEEA) concluíram a votação em 21 de agosto. O sindicato representa cerca de 13.000 engenheiros e 4.000 técnicos na Boeing, principalmente no estado de Washington.

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Entre os engenheiros, 64,25% rejeitaram a proposta da empresa, enquanto 71,87% dos técnicos votaram contra a oferta. As votações que autorizaram uma possível greve foram ainda mais contundentes: 87,82% entre engenheiros e 89,71% entre técnicos.

Os contratos atuais expiram em 6 de outubro, o que significa que uma greve pode começar já em 7 de outubro. O SPEEA afirma que permanece disposto a retomar as negociações, enquanto a Boeing já iniciou a elaboração de planos de contingência.

A gigantesca fábrica da Boeing em Everett (Maurice King)
A gigantesca fábrica da Boeing em Everett (Maurice King)

O resultado chama atenção porque as equipes de negociação do sindicato participaram da construção dos acordos preliminares e recomendaram sua aprovação. A Boeing afirmou que suas propostas aumentariam o salário médio em quase 30% ao longo de quatro anos, além de conceder três dias adicionais de licença remunerada, impor restrições mais rígidas ao trabalho obrigatório em horas extras e ampliar as oportunidades de trabalho remoto.

Os membros do sindicato, porém, levantaram preocupações que vão além da remuneração. O SPEEA afirma que os trabalhadores estão cada vez mais preocupados com a transferência de empregos de engenharia e técnicos para fora da região, decisões técnicas sendo sobrepostas pela gestão, pressão para priorizar cronogramas em detrimento da qualidade e dificuldades para reter profissionais experientes.

O SPEEA agora realiza uma pesquisa com seus membros para identificar as mudanças necessárias para um novo acordo, com respostas previstas até 26 de agosto.

Fábrica da Boeing em Everett (Boeing)
Fábrica da Boeing em Everett (Boeing)

Primeira possível greve do SPEEA desde 2000

Uma paralisação criaria um problema diferente para a Boeing em relação à interrupção de produção vivida em 2024.

Aquela greve envolveu cerca de 33.000 membros da International Association of Machinists and Aerospace Workers (IAM) e paralisou grande parte da produção de aeronaves comerciais da Boeing na região de Seattle por 53 dias.

A última greve do SPEEA contra a Boeing ocorreu em 2000. Seus membros atuam em funções de engenharia e técnicas em diversos programas de aeronaves da empresa, e não principalmente na montagem de aviões nas linhas de produção.

Uma greve, portanto, ocorreria em um momento sensível para a Boeing. O fabricante norte-americano está ampliando a produção de aeronaves comerciais enquanto mantém trabalhos de certificação em programas como o 737 MAX 7, 737 MAX 10 e 777-9.

Ainda resta mais de um mês até o vencimento dos acordos atuais, o que dá tempo para Boeing e SPEEA negociarem novos termos. A expressiva autorização para greve, no entanto, confere ao sindicato considerável poder de barganha caso as partes voltem à mesa de negociações.