Boeing quer produzir quase tantos 737 quanto Airbus monta seus A320

Fabricante avalia concluir 70 jatos da família 737 MAX por mês, pouco abaixo da meta da rival

Boeing 737 MAX 8 da United
Boeing 737 MAX 8 da United (Glenn Beltz)

A Boeing estuda a possibilidade de aumentar a produção do 737 para cerca de 70 aeronaves por mês, segundo reportagem do site The Air Current, o que elevaria o ritmo muito além da meta anteriormente divulgada de 63 jatos mensais.

A publicação informou que a Boeing já iniciou a análise sobre a capacidade de seus fornecedores para sustentar esse nível de produção, embora as discussões ainda estejam em estágio inicial e nenhuma decisão tenha sido tomada.

A empresa recentemente elevou a produção do 737 MAX para 47 aeronaves por mês após receber aprovação da Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA). O CEO da Boeing, Kelly Ortberg, afirmou em maio que a fabricante espera atingir esse ritmo nos próximos meses.

Caso seja adotado, o ritmo de 70 aeronaves mensais aproximaria a Boeing do objetivo de longo prazo da Airbus de produzir 75 aeronaves da família A320neo por mês. A fabricante europeia já adiou essa meta diversas vezes devido a restrições na cadeia de suprimentos e agora prevê alcançar entre 70 e 75 aeronaves mensais até o fim de 2027.

Montagem da linha Norte do Boeing 737 MAX (Boeing)

Ambas as fabricantes enfrentam pressão para ampliar a produção diante do crescimento das carteiras de pedidos. No fim de abril, a Boeing acumulava 4.391 pedidos não atendidos para a família 737, enquanto a Airbus somava 7.348 pedidos pendentes para a família A320neo.

A carteira da Airbus está fortemente concentrada no A321neo, que responde por 5.492 aeronaves aguardando entrega. O modelo se tornou o mais popular da família A320neo e contribuiu para a liderança da Airbus no segmento de corredor único na última década.

Nenhuma das fabricantes sustentou anteriormente níveis de produção nos patamares agora em discussão. Alcançar essas metas exigiria que fornecedores aumentassem as entregas de motores, estruturas, aviônicos e outros componentes críticos, evitando as interrupções que têm afetado o setor aeroespacial desde a pandemia.

Boeing 737 MAX 8 da GOL (Gol Linhas Aéreas)

Para a Boeing, ampliar a produção também teria impacto financeiro relevante. O 737 MAX segue como o maior programa comercial da empresa em volume, e o aumento das entregas é visto como atalho para melhorar o fluxo de caixa e reduzir o acúmulo de pedidos dos últimos anos, agravado por questões de segurança.

O The Air Current destacou que os estudos internos da Boeing ainda são preliminares e que a empresa pode decidir não avançar com o aumento de produção caso a capacidade dos fornecedores ou as condições de mercado não sustentem a medida.