Boeing retira o jato T-7A de competição de treinador para a Marinha dos EUA

Exigências de certificação do motor teriam motivado saída da concorrência que escolherá o sucessor do T-45 Goshawk

T-7A Red Hawk
T-7A Red Hawk (USAF)

A Boeing decidiu não participar da concorrência Undergraduate Jet Training System (UJTS) da Marinha dos Estados Unidos, restando apenas dois concorrentes na disputa para substituir a frota de treinadores T-45 Goshawk.

Em comunicado divulgado em 12 de junho, a Boeing afirmou que o T-7A Red Hawk não atende aos requisitos atuais estabelecidos pela Marinha para o programa.

“A Boeing está focada em cumprir nossos compromissos e participa de programas nos quais acredita poder oferecer a solução adequada às necessidades e exigências dos clientes”, declarou a empresa. “Após avaliação criteriosa, concluímos que o T-7A não atende aos requisitos do Undergraduate Jet Training System da Marinha dos EUA.”

O fabricante acrescentou que mantém o compromisso com o programa T-7A e enxerga a aeronave como plataforma de treinamento para futuras gerações de pilotos militares.

T-45 Goshawk

De acordo com o The Aviationist, a decisão da Boeing está relacionada a exigências de qualificação do motor envolvendo o turbofan General Electric F404. Adaptar o motor aos padrões da Marinha exigiria, segundo informações, trabalho adicional de desenvolvimento e poderia atrasar a entrada da aeronave em serviço operacional.

A saída da Boeing elimina um dos candidatos considerados mais fortes na disputa. Também representa a segunda grande empresa a deixar o programa, após a Lockheed Martin anunciar em março que não apresentaria o treinador TF-50N.

Aeronave bimotor é aposta da SNC para vencer a concorrência UJTS, da Marinha dos EUA (SNC)

A concorrência do UJTS agora se resume à proposta Freedom Trainer da Sierra Nevada Corporation e ao M-346N, oferecido por meio de parceria entre Textron Aviation Defense e Leonardo.

Diferente do Freedom Trainer, que ainda é um projeto novo, o M-346N já está em operação e acumula mais de 100.000 horas de voo em todo o mundo.

A Marinha publicou o pedido final de propostas em março e prevê conceder o contrato em 2027. O plano atual prevê a aquisição de 216 aeronaves para substituir a frota de T-45, com a primeira aeronave de produção prevista para entrar em serviço no início da próxima década.

Beechcraft M-346N

Um dos pontos mais debatidos do programa é a decisão da Marinha de eliminar a exigência de treinamento rotineiro de pouso em porta-aviões no novo treinador. Em vez disso, os futuros aviadores navais dependerão mais de simuladores e automação antes de passarem para aeronaves de linha de frente nos esquadrões de treinamento operacional.

Defensores argumentam que a abordagem reduz a complexidade do desenvolvimento e permite à Marinha colocar o substituto em operação mais rapidamente. Críticos, porém, questionam se transferir mais treinamento para aeronaves de combate pode aumentar o custo total do treinamento no longo prazo.