A Boeing está levando mais tempo do que o esperado para estabilizar a produção do 737 MAX em 47 aeronaves por mês, com o CEO Kelly Ortberg apontando a própria operação de fabricação de asas da empresa em Renton como o principal fator limitante.

“Não estamos estáveis ainda em 47 por mês”, afirmou Ortberg durante a Morgan Stanley Laguna Conference na quarta-feira, acrescentando que atingir uma produção consistente nesse novo ritmo tem levado mais tempo do que ele previa.

A Boeing recebeu aprovação da Federal Aviation Administration no início deste ano para aumentar a produção do 737 de 42 para 47 aeronaves por mês. A fabricante iniciou, então, a transição do seu sistema de produção para o novo ritmo, mas ainda não conseguiu mantê-lo de forma consistente.

Diferentemente de períodos anteriores, quando a disponibilidade de motores e o desempenho de fornecedores restringiam a produção do 737, Ortberg afirmou que a cadeia de suprimentos externa está atualmente em boas condições. Isso inclui as entregas dos motores LEAP-1B da CFM International.

A fábrica da Boeing em Renton já produziu partes da estrutura das asas do 737 MAX 7 (Boeing)
A fábrica da Boeing em Renton já produziu partes da estrutura das asas do 737 MAX 7 (Boeing)

Limite na produção de asas restringe ritmo

Agora, o principal gargalo está dentro das próprias fábricas da Boeing. Todas as asas do 737 são produzidas em Renton, Washington, e Ortberg disse que a Boeing não conseguiu implementar as melhorias planejadas no fluxo de produção ali tão rapidamente quanto esperava.

A empresa identificou ações para melhorar a produção de asas, mas o progresso mais lento impede que o sistema de produção do 737 se estabilize em 47 aeronaves por mês.

A situação ilustra o desafio que a Boeing enfrenta ao tentar superar as interrupções anteriores na produção e iniciar o aumento do ritmo para patamares que não são mantidos há vários anos.

Ortberg afirmou que a cadeia de suprimentos, em geral, está apoiando o plano de produção atual. Restrições podem voltar a ser mais significativas em ritmos mais altos, mas a tarefa imediata da Boeing é aprimorar seu próprio desempenho fabril.

Renton (Boeing)
Renton (Boeing)

Everett será necessário antes de chegar a 52 por mês

O próximo aumento na produção do 737 também dependerá da nova linha de montagem da Boeing em Everett, onde a empresa já começou a construir as primeiras aeronaves.

Quatro 737 estão sendo montados como parte do processo de certificação da North Line, incluindo dois MAX 10. A Boeing precisa concluir a qualificação da instalação antes de usar Everett como fonte regular de capacidade adicional de produção.

O MAX 10 é especialmente adequado para a unidade de Everett devido ao seu comprimento. Ortberg explicou que as dimensões físicas de Renton tornam impossível instalar uma linha completa de produção da maior variante do MAX, de ponta a ponta, enquanto Everett oferece muito mais espaço.

Linha de montagem final do Boeing 737 MAX em Everett (Boeing)
Linha de montagem final do Boeing 737 MAX em Everett (Boeing)

O cronograma coincide com a aproximação da certificação do MAX 10. Ortberg afirmou que todos os testes em voo já foram concluídos e restavam apenas três entregáveis da Boeing para a FAA quando ele deixou Seattle nesta semana. A variante já representa cerca de 30% da carteira de pedidos do 737.

A Boeing agora prevê aumentar a produção total do 737 para 52 aeronaves por mês em 2027, após estabilizar o ritmo atual e colocar Everett em operação regular.

Novos aumentos, incluindo um possível ritmo de 57 aeronaves por mês, exigiriam que tanto a Boeing quanto seus fornecedores demonstrassem capacidade de manter uma produção mais alta. Por enquanto, o principal gargalo continua sendo o fluxo de asas em Renton, e não a disponibilidade de motores ou outros componentes principais.