Congresso dos EUA não quer deixar Força Aérea aposentar aviões espiões U-2

Projeto de lei orçamentária prevê recursos para restauração de quatro aeronaves apesar de plano da USAF de retirar todos os Dragon Lady de serviço em 2027

O Lockheed U-2 pode cumprir missões de vigilância e espionagem (Foto - USAF)
O Lockheed U-2 pode cumprir missões de vigilância e espionagem (Foto - USAF)

O Congresso dos Estados Unidos volta a se mobilizar para preservar a frota de aeronaves de reconhecimento U-2 Dragon Lady da Força Aérea dos EUA, abrindo novo embate com a liderança da instituição, que pretende aposentar o avião espião da era da Guerra Fria.

Um projeto de lei orçamentária para a Defesa em 2027, divulgado pelo Comitê de Apropriações da Câmara, impede a Força Aérea de retirar de operação mais de duas unidades do U-2 durante o ciclo orçamentário. A proposta também destina US$ 81 milhões para manutenção programada em depósito, visando restaurar quatro aeronaves e ampliar a disponibilidade operacional da frota.

A medida surge após a Força Aérea dos EUA solicitar recursos para retirar de serviço os 23 U-2 restantes e eliminar o orçamento de operações e manutenção do programa.

Segundo o site The War Zone, parlamentares já bloquearam tentativas anteriores de aposentadoria da aeronave, diante de preocupações de que os sistemas de substituição existentes e planejados ainda não estão prontos para assumir suas missões.

Piloto do U-2S: ajuda de algoritmo (USAF)

A Força Aérea argumenta que o U-2 se tornou cada vez mais vulnerável em cenários de conflito futuro e está mais difícil e caro de manter. A frota atual é composta por 20 U-2S monoposto e três treinadores de dois assentos, todos derivados de células que entraram em serviço há décadas.

Em documentos orçamentários divulgados no início deste ano, a instituição afirmou que a continuidade da operação exigiria investimentos substanciais para enfrentar o envelhecimento das aeronaves, problemas na cadeia de suprimentos e questões de segurança.

O Congresso, porém, segue considerando o Dragon Lady uma plataforma única de coleta de inteligência.

Capaz de operar acima de 70.000 pés, o U-2 transporta sistemas de imageamento, inteligência de sinais e retransmissão de comunicações, mantendo-se fora de áreas fortemente defendidas. A aeronave também já apoiou missões que vão desde vigilância de fronteiras e operações antidrogas até resposta a desastres.

Um dos fatores para o ceticismo do Congresso é a incerteza em relação às plataformas que devem substituir o U-2.

Inicialmente, o U-2 não era pintado. Mais tarde, devido à natureza de suas missões, passou a ser pintado inteiramente de preto (Foto – USAF).

A Força Aérea aponta para uma futura combinação de satélites avançados de vigilância e sistemas aéreos classificados. Entre os candidatos frequentemente citados está um drone furtivo de alta altitude, conhecido como RQ-180, embora autoridades revelem poucos detalhes sobre suas capacidades ou quantidade prevista em frota.

O cronograma dessas substituições ainda preocupa. A Força Espacial dos EUA prevê 2028 para o início do novo sistema de vigilância espacial, enquanto detalhes sobre as próximas plataformas aéreas de inteligência permanecem em grande parte classificados.

A proposta mais recente vai além da simples preservação da frota. O financiamento para manutenção de quatro aeronaves em nível de depósito indica que parlamentares querem manter a capacidade operacional, em vez de permitir redução gradual da força de U-2.

O projeto de lei ainda precisa passar pelo Congresso e ser conciliado com a versão do Senado antes de virar lei. Tentativas anteriores da Força Aérea de aposentar o Dragon Lady já foram reduzidas ou bloqueadas nesse processo.

Desde o primeiro voo em 1955, o U-2 segue como uma das aeronaves militares há mais tempo em serviço ativo nos EUA. Mais de sete décadas após sua estreia, o Congresso mostra-se relutante em permitir a saída do avião do inventário antes que um sucessor comprovado esteja disponível.