A Espanha selecionou o Airbus A321 como plataforma para sua nova aeronave de SIGINT (moniotamento de emissões eletromagnéticas), segundo publicação da Força Aérea, encerrando a incerteza sobre qual avião será a base do programa Santiago II-SCAPA.
A escolha foi divulgada na edição de outubro da Revista de Aeronáutica y Astronáutica, publicação oficial da Força. O Ministério da Defesa da Espanha não anunciou a decisão separadamente, mas documentos governamentais anteriores indicavam que a primeira fase do Santiago II definiria a plataforma antes da aquisição de três aeronaves SIGINT.
O programa pretende devolver à Espanha uma capacidade dedicada de SIGINT aéreo, mais de uma década após a aposentadoria do Boeing 707 especialmente equipado. O TM.17-4, conhecido como Reina del Espectro, realizava missões de inteligência eletrônica e de comunicações até seu último voo operacional em 2014.
A Airbus e a Indra já trabalham no Santiago II sob um contrato de definição concedido em dezembro de 2025. O acordo, de aproximadamente €16 milhões (US$19 milhões), prevê um estudo de 18 meses, com a Airbus responsável pela plataforma e a Indra pelos sensores e sistemas de missão.

Três A321 previstos para função SIGINT
Documentação do governo espanhol prevê três aeronaves equipadas para detectar, localizar, identificar e analisar emissões eletromagnéticas. O programa exige fabricação e integração de sistemas em território nacional, incluindo controle espanhol sobre a integração dos equipamentos SIGINT.
O uso do A321 oferece ao programa uma plataforma consideravelmente maior que jatos executivos normalmente adaptados para missões de inteligência. Sua cabine comporta operadores e equipamentos de missão, além de garantir autonomia e capacidade de carga para longas operações de coleta de informações.
A Espanha já operou outras aeronaves dedicadas à guerra eletrônica além do Boeing 707, como o Dassault Falcon 20. A aposentadoria desses aviões deixou o país sem a capacidade aérea especializada que o Santiago II busca restaurar.

O A321 pode futuramente atender outra demanda de vigilância espanhola. A publicação do Exército do Ar e Espaço discute a possibilidade de usar a mesma plataforma para uma futura aeronave de alerta aéreo antecipado, embora a Espanha ainda não tenha iniciado um programa de aquisição de AEW baseado no A321.
A Airbus já desenvolve outra versão militar especial do A321 para a França. O A321 MPA foi escolhido para substituir o Atlantique 2 da Marinha Francesa, embora sua missão e equipamentos sejam substancialmente diferentes da configuração SIGINT espanhola.
A próxima fase do Santiago II deve abranger o desenvolvimento e integração dos sistemas de inteligência nas três aeronaves, após a conclusão do trabalho de definição em andamento.
