A Etiópia recebeu da Rússia seus primeiros caças Sukhoi Su-35 de uma encomenda que até agora não havia sido reconhecida publicamente pelos dois países. Dois jatos com as matrículas 2551 e 2552 foram apresentados com as cores da força aérea etíope durante uma visita do primeiro-ministro Abiy Ahmed a Moscou.
Localizada no leste da África, a Etiópia deverá receber 12 Su-35, segundo Abiy Ahmed. O primeiro-ministro afirmou que a entrega foi antecipada em um ano após um pedido ao presidente russo Vladimir Putin.
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Apesar de a agência estatal etíope ENA ter afirmado que o país recebeu seus primeiros 12 Su-35, a Rosoboronexport, estatal responsável pelas exportações de armamentos russos, confirmou à Reuters que o primeiro lote é formado por dois caças. As imagens divulgadas durante a visita de Abiy também mostram apenas essas duas aeronaves.
A compra não havia sido anunciada anteriormente. Sua existência veio à tona em outubro de 2025, quando o grupo hacker Black Mirror divulgou documentos atribuídos à estatal russa Rostec.

Compra remonta a 2022
Os documentos vazados indicavam que a KRET, fabricante russa de sistemas eletrônicos, havia recebido em 2022 pedidos de equipamentos de controle e displays destinados a seis Su-35 para a Etiópia.
A informação apontava para uma encomenda de pelo menos seis caças, mas nem o governo etíope nem a Rússia reconheceram publicamente o negócio. O anúncio de Abiy agora revela um programa duas vezes maior, com 12 aeronaves.
Não está claro se a Etiópia ampliou posteriormente uma compra inicial de seis Su-35 ou se os documentos vazados mostravam apenas parte do contrato.
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Também há dúvidas sobre a origem dos dois primeiros aviões. A pintura dos caças se assemelha à utilizada nos Su-35 produzidos originalmente para o Egito, país que acabou não recebendo as aeronaves após abandonar a aquisição.
Parte desses jatos encontrou posteriormente outro comprador. A Argélia começou a receber em 2025 Su-35 que haviam sido fabricados para o Egito. Até agora, porém, não surgiram números de construção ou outras evidências que permitam confirmar que os exemplares entregues à Etiópia pertenciam ao mesmo lote.

Etiópia já opera outros caças da família Su-27
O Su-35 não é o primeiro caça da família Flanker na força aérea etíope. O país opera o Su-27 desde a década de 1990 e recebeu pelo menos dois Su-30K em janeiro de 2024.
Esses Su-30 haviam pertencido anteriormente à Índia. Os aviões faziam parte de um lote de 18 exemplares devolvidos depois que a força aérea indiana passou a receber o Su-30MKI, versão mais avançada produzida localmente.
O Su-35 é uma evolução profunda do Su-27. O caça monoposto utiliza dois motores AL-41F1S com empuxo vetorado e o radar Irbis-E, além de incorporar aviônicos e sistemas de guerra eletrônica mais avançados que os encontrados nos antigos Su-27 da Etiópia.
A Rússia teve até agora poucos clientes estrangeiros para o modelo. A China foi o primeiro operador internacional, enquanto a Argélia começou a receber seus aviões em 2025. O Irã também é apontado como comprador do Su-35.

S-400 também faz parte do acordo
Além dos caças, Abiy anunciou que a Etiópia receberá quatro baterias do sistema russo de defesa antiaérea S-400.
O governo não revelou o valor das aquisições nem informou quando os S-400 serão entregues. A Etiópia já utiliza sistemas russos Pantsir-S1, além de equipamentos de origem soviética mais antigos.
Os novos armamentos chegam em um período de novas tensões no norte do país e de deterioração das relações com a vizinha Eritreia. O governo etíope acusa a Eritreia de apoiar forças rebeldes, acusação negada pelo governo eritreu.



