O Departamento de Estado dos EUA aprovou uma possível venda de 48 caças F-35A Lightning II da Lockheed Martin para a Arábia Saudita, no valor de US$ 24,3 bilhões.

O Congresso foi notificado sobre a proposta de Venda Militar Estrangeira em 17 de setembro. O pacote inclui 49 motores Pratt & Whitney F135-PW-100, equipamentos de comunicação, peças de reposição, treinamento e suporte logístico.

A decisão segue o anúncio do presidente Donald Trump, em novembro de 2025, de que Washington pretendia permitir que Riad adquirisse o caça furtivo. A transação proposta agora está sujeita a um período de revisão de 30 dias pelo Congresso.

Se concluída, a aquisição fará da Arábia Saudita o primeiro país árabe a operar o F-35. Israel utiliza a aeronave desde 2016 e segue como seu único operador no Oriente Médio.

Siga AIRWAY: WhatsApp | Instagram | LinkedIn | Twitter | Facebook

A Força Aérea Real Saudita atualmente depende principalmente dos Boeing F-15 e Eurofighter Typhoon em sua frota de caças. Os antigos Panavia Tornado IDS estão próximos da aposentadoria.

A Arábia Saudita foi um dos primeiros clientes estrangeiros do F-15 (USAF)
A Arábia Saudita foi um dos primeiros clientes estrangeiros do F-15 (USAF)

O interesse saudita pelo F-35 ficou evidente no World Defense Show, realizado em Riad em fevereiro de 2026, onde uma maquete em tamanho real do F-35A foi exibida com as marcações da Força Aérea Real Saudita.

Israel deve manter versão exclusiva

Qualquer aquisição saudita do F-35 também precisa ser avaliada conforme exigências legais dos EUA para preservar a vantagem militar qualitativa (QME) de Israel no Oriente Médio.

Israel opera o F-35I Adir, modificado localmente. O Departamento de Estado afirmou que a venda proposta à Arábia Saudita não alteraria o equilíbrio militar básico na região, mas a notificação pública não detalha como Washington chegou a essa conclusão.

Também não há indicação de que a Arábia Saudita receberia uma versão propositalmente limitada do F-35A.

Eurofighter Typhoon (RSAF)
Eurofighter Typhoon (RSAF)

Washington já tratou dessa questão em vendas anteriores de armas para a Arábia Saudita. Após aprovar o F-15SA para Riad em 2010, os EUA também forneceram capacidades militares adicionais a Israel, incluindo mais F-35.

Laços com a China levantam preocupações de segurança

A relação da Arábia Saudita com a China é outro ponto em torno da aquisição proposta. Autoridades americanas manifestaram preocupação com a proteção da tecnologia sensível do F-35 contra possível acesso chinês.

Uma avaliação de inteligência dos EUA analisou salvaguardas que podem incluir restrição de acesso a instalações com tecnologia do F-35 e a presença de equipamentos chineses em infraestruturas de comunicação.

Panavia Tornado IDS - Royal Saudi Air Force
Panavia Tornado IDS - Royal Saudi Air Force | Steve Lynes

A questão tem precedente recente na região. Os Emirados Árabes Unidos receberam aprovação dos EUA em 2020 para adquirir até 50 F-35A, mas as negociações foram interrompidas posteriormente devido a divergências sobre exigências de segurança dos EUA e preocupações com a relação de Abu Dhabi com a China. Os Emirados nunca receberam as aeronaves.

A Arábia Saudita também discute com a Boeing novos trabalhos em sua frota de F-15, incluindo modernizações e possíveis caças adicionais baseados no padrão F-15EX. O F-35, portanto, acrescentaria uma aeronave de baixa observabilidade a uma frota de combate que Riad moderniza por meio de múltiplos programas.