A Lockheed Martin apresentou um novo interceptor para o Exército dos Estados Unidos, desenvolvido para enfrentar ameaças balísticas avançadas e hipersônicas, com base na família de mísseis PAC-3, já utilizada contra armas russas na Ucrânia.

Batizado de PAC-3 Edge, o interceptor foi apresentado na sexta-feira, quando a Lockheed Martin avançou para a próxima fase do programa Future Interceptor do Exército dos EUA. Segundo a empresa, a arma oferecerá maior alcance, altitude e manobrabilidade em relação aos interceptores PAC-3 atualmente em operação.

O míssil ainda está em desenvolvimento e não demonstrou essas capacidades em voo. A Lockheed Martin prevê o início dos testes em 2027, enquanto o Exército busca um sistema que possa ser rapidamente operacional até 2031.

O PAC-3 Edge combina um novo sistema de guiagem com um motor-foguete sólido de múltiplos pulsos fornecido pela Northrop Grumman e controles de voo aprimorados. A empresa não revelou a velocidade máxima planejada, alcance ou altitude de interceptação.

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O sistema de guiagem está sendo desenvolvido no Strigo Product Center da Lockheed Martin, onde a companhia afirma ter investido US$ 250 milhões para ampliar a capacidade de produção e desenvolver tecnologias para futuros sistemas de defesa aérea e antimísseis.

Lições dos mísseis usados na Ucrânia

O novo interceptor surge em um momento em que mísseis balísticos avançados e de alta velocidade se tornaram um grande desafio para sistemas de defesa aérea, especialmente durante a guerra na Ucrânia.

A Rússia utilizou repetidamente armas como o Kh-47M2 Kinzhal, lançado por aeronaves, e o míssil balístico Iskander-M contra alvos ucranianos. Moscou classifica o Kinzhal como arma hipersônica, capaz de atingir velocidades várias vezes superiores à do som.

Míssil Khinzal levado por um MiG-31
Míssil Khinzal levado por um MiG-31

A Ucrânia empregou sistemas Patriot equipados com interceptores PAC-3 contra essas armas. O Ministério da Defesa ucraniano afirma que mísseis PAC-3 foram utilizados contra Kinzhal, Iskander e até mesmo mísseis Zircon.

Diferentemente dos tradicionais mísseis superfície-ar, que dependem principalmente de ogiva explosiva para destruir o alvo nas proximidades, o PAC-3 utiliza tecnologia hit-to-kill. O interceptor é projetado para colidir diretamente com o míssil inimigo em alta velocidade.

O PAC-3 Missile Segment Enhancement (MSE), atualmente a versão mais avançada da família, já incorpora motor de dois pulsos e maior manobrabilidade em comparação com variantes anteriores do PAC-3.

O PAC-3 Edge busca ampliar essas capacidades diante de alvos cada vez mais difíceis. Seu sistema de propulsão de múltiplos pulsos pode fornecer impulso em diferentes fases do voo, enquanto os novos sistemas de guiagem e controle de voo visam aprimorar a capacidade de perseguir ameaças manobráveis.

A Lockheed Martin não afirmou que o Edge foi desenvolvido especificamente em resposta às armas utilizadas pela Rússia. As Forças Armadas dos EUA também se preparam para ameaças de mísseis mais avançadas em desenvolvimento por outros países.

Essa distinção é importante porque o termo "hipersônico" abrange diferentes tipos de armas. Mísseis balísticos podem ultrapassar Mach 5 em partes de suas trajetórias, enquanto veículos planadores hipersônicos combinam velocidades muito altas com manobrabilidade, tornando suas rotas de voo menos previsíveis.

O míssil balístico Iskander-M, que teria dado origem ao Kinzhal
O míssil balístico Iskander-M, que teria dado origem ao Kinzhal

Produção do PAC-3 em expansão

A introdução do Edge ocorre em meio ao aumento da demanda pela família PAC-3.

O Exército dos EUA concedeu à Lockheed Martin um contrato de até US$ 58,6 bilhões em julho para expandir substancialmente a produção do PAC-3. A empresa planeja elevar a capacidade anual de cerca de 600 interceptores para até 2.000.

Essa meta de produção se aplica ao programa PAC-3 como um todo e não deve ser interpretada como um pedido de 2.000 mísseis PAC-3 Edge.

Tim Cahill, presidente da divisão Missiles and Fire Control da Lockheed Martin, disse à Reuters que a expectativa é que o novo interceptor tenha custo semelhante ao do atual PAC-3 MSE.

A Lockheed Martin também projeta o Edge para operar além da configuração convencional do Patriot. Segundo a empresa, ele será compatível com o lançador Patriot M903, com o Integrated Battle Command System (IBCS) do Exército dos EUA e com o conceito de lançador HIMARS Flex.

Essa abordagem pode oferecer ao Exército mais opções para empregar um interceptor derivado da família Patriot, à medida que as ameaças de mísseis se tornam mais rápidas, manobráveis e difíceis de prever.