Força Aérea dos EUA aprova produção dois primeiros caças sem piloto da sua história

FQ-42A e FQ-44A foram encomendados em projeto que mira frota de mil aeronaves de combate colaborativas

drone YFQ-42A
drone YFQ-42A (GA-ASI)

A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) assinou contratos de produção para seus primeiros Caças Colaborativos de Combate (Collaborative Combat Aircraft ou CCA), levando o programa a uma nova etapa que pode transformar as operações aéreas de combate no futuro.

General Atomics e Anduril receberam contratos de engenharia, fabricação e produção para suas respectivas aeronaves, designadas FQ-42A e FQ-44A. A decisão foi antecipada em relação ao cronograma original e resulta de um processo competitivo de avaliação iniciado em 2024.

Durante a fase de protótipo, as duas aeronaves eram conhecidas como YFQ-42A e YFQ-44A. Com o início da produção, passam a ser as primeiras a receber a nova designação FQ, que destaca seu papel como plataformas de caça não tripuladas.

A Força Aérea informou que pretende adquirir mais de 150 aeronaves CCA com capacidade de combate até o fim da década, com objetivo de longo prazo de empregar aproximadamente 1.000 unidades.

Projetadas para operar ao lado de caças tripulados, as aeronaves devem cumprir missões que tradicionalmente exigiriam maior quantidade de aviões de combate convencionais. O conceito prioriza a atuação conjunta entre humanos e máquinas, com pilotos controlando ou coordenando múltiplas aeronaves autônomas em operação.

drones YFQ-44A (Anduril)

A General Atomics informou que o FQ-42A realizou seu voo inaugural em agosto de 2025, após avançar do contrato à decolagem em cerca de 15 meses. O projeto deriva de aeronaves experimentais anteriores, incluindo o demonstrador XQ-67A desenvolvido em parceria com o Laboratório de Pesquisa da Força Aérea dos EUA.

O FQ-44A da Anduril voou pela primeira vez em outubro de 2025 e, desde então, completou testes de voo com diferentes configurações de missão e integração de armamentos. Segundo a empresa, diversas aeronaves estão atualmente em operação no programa de desenvolvimento.

Paralelamente aos contratos das aeronaves, a Força Aérea iniciou uma competição separada para software de autonomia de missão. Seis empresas foram selecionadas para o grupo de contratos-base: Anduril, General Atomics, Lockheed Martin, Northrop Grumman, RTX Collins Aerospace e Shield AI.

No alto o YFQ-44A e à frente o YFQ-42A (USAF)

O serviço planeja manter o desenvolvimento de software separado das aeronaves, permitindo a integração de diferentes sistemas de autonomia em distintas plataformas por meio de uma arquitetura aberta de propriedade do governo, conhecida como Autonomy Government Reference Architecture (A-GRA).

Três empresas — Anduril, RTX Collins Aerospace e Shield AI — receberam contratos adicionais para iniciar uma competição de seis meses voltada a acelerar o desenvolvimento do software operacional. A Força Aérea prevê selecionar um fornecedor principal de autonomia para o CCA Incremento 1 até meados de 2027.

O programa CCA é um dos maiores esforços de modernização da Força Aérea dos EUA e deve operar junto a futuras plataformas como o caça de sexta geração F-47 e aeronaves já em serviço, incluindo o F-35 e o F-22.