A GOL está promovendo uma redução mais ampla de sua malha aérea, com a suspensão de voos domésticos e internacionais, além da abertura de um programa de licença não remunerada para funcionários. As medidas ocorrem em meio ao aumento dos custos operacionais, especialmente do querosene de aviação (QAV).

A companhia confirmou as mudanças ao jornal O Tempo, que revelou na quarta-feira (14) a abertura do programa de afastamento voluntário. A iniciativa permite que funcionários se afastem temporariamente de suas atividades sem remuneração, preservando o vínculo empregatício.

Segundo a GOL, o preço do combustível de aviação dobrou e passou a representar aproximadamente 40% de seus custos operacionais. Diante desse cenário, a empresa decidiu reduzir frequências e suspender operações em determinados trechos.

A companhia não divulgou uma relação completa das rotas afetadas nem informou quantos funcionários poderão aderir ao programa de licença não remunerada.

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Além dos afastamentos, a GOL também abriu a possibilidade de trabalho em regime de tempo parcial durante novembro e dezembro. As medidas são voluntárias e não representam, por si só, um programa de demissões.

Turma de comandantes da GOL (Gol Linhas Aéreas)
Turma de comandantes da GOL (Gol Linhas Aéreas)

Voos internacionais também são afetados

A revisão da malha inclui ligações internacionais operadas com o Boeing 737 MAX 8, especialmente os voos de maior distância para os Estados Unidos.

Entre as operações previstas para suspensão a partir de fevereiro de 2027 estão ligações de Brasília, Fortaleza e Belém com destinos na Flórida, como Miami e Orlando.

Outras rotas internacionais, incluindo serviços para Montevidéu, Assunção e Punta Cana, também aparecem entre as possíveis suspensões.

GOL Linhas Aéreas Boeing 737-800
GOL Linhas Aéreas Boeing 737-800 | AeroportosBSB

No mercado doméstico, a revisão envolve ligações regionais e serviços entre capitais. A extensão das mudanças ainda não está definida, uma vez que a programação das companhias aéreas pode ser alterada conforme a demanda e as condições operacionais.

A GOL afirmou que o planejamento de sua malha é um processo contínuo e que as decisões não seguem critérios de priorização regional.

A empresa também informou que continuará oferecendo alternativas de viagem por meio de conexões e acordos comerciais com outras companhias, utilizando sua rede de mais de 60 parcerias de codeshare e interline.

Expansão com Airbus A330 continua

A redução das operações com o Boeing 737 MAX ocorre em paralelo aos planos da GOL de ampliar sua presença no mercado internacional com aeronaves Airbus A330.

A companhia iniciou uma nova operação de longo curso utilizando A330-200 alugados com tripulação da espanhola Wamos Air, incluindo voos entre o Rio de Janeiro e Nova York.

A ligação com Nova York terá uma pausa a partir de 22 de outubro e está prevista para retornar em março de 2027, após uma interrupção durante parte do primeiro trimestre. Nesse ínterim, os passageiros da empresa poderão utilizar o serviço da American Airlines. A partir de 28 de março do ano que vem, os A330-900 da GOL retomam a operação.

A330-900 (Gol Linhas Aéreas)
A330-900 (Gol Linhas Aéreas)

A estratégia de expansão com aeronaves de fuselagem larga permanece distinta da revisão das rotas operadas com o 737 MAX, que enfrenta limitações de capacidade e alcance em serviços mais longos.

A GOL concluiu sua recuperação judicial nos Estados Unidos em junho de 2025 e passou a desenvolver uma nova etapa de expansão internacional. A empresa também iniciou um processo de diversificação de sua frota, historicamente composta exclusivamente por aeronaves Boeing 737.