A Southwest Airlines pode abandonar uma das tradições mais marcantes da aviação comercial ao considerar a inclusão de Boeing 787 Dreamliner em sua frota. A companhia aérea dos Estados Unidos, que opera exclusivamente aeronaves Boeing 737 há mais de cinco décadas, estaria planejando voos de longa distância entre diversas mudanças em seu modelo de negócios.

Segundo a Reuters, que ouviu três pessoas próximas aos planos da Southwest, o Boeing 787 desponta como aeronave preferida. A empresa já avaliou a aquisição de dezenas de Dreamliner, embora nenhuma decisão final tenha sido tomada e a quantidade de aeronaves ainda não esteja definida.

As discussões podem resultar no início das operações de longa distância em cerca de três anos. A Airbus também apresentou alternativas, como o A321XLR e o A330neo, mas o Dreamliner teria vantagem na avaliação.

A análise de frota da companhia vai além dos jatos de fuselagem larga. A Airbus propôs o A220, aeronave menor e mais leve que o 737 MAX 7, modelo que a Southwest se prepara para colocar em serviço.

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A Southwest iniciou suas operações em 1971 com três Boeing 737 em rotas entre Dallas, Houston e San Antonio. O modelo acabou se tornando inseparável da identidade da empresa, construída em torno de tarifas baixas, alta frequência de voos e uma estrutura operacional simplificada. Ela inspirou, inclusive, a GOL, que até pouco tempo atrás mantinha uma estratégia de frota padrão de 737.

A família 787 Dreamliner compreende as versões 787-8, 787-9 e 787-10 (Boeing)
A família 787 Dreamliner compreende as versões 787-8, 787-9 e 787-10 (Boeing)

Durante décadas, a decisão de operar uma única família de aeronaves ajudou a Southwest a reduzir custos de manutenção e treinamento, simplificar a escalação de tripulações e manter flexibilidade operacional. Mesmo com a frota ultrapassando 800 aviões, a companhia permaneceu fiel às gerações sucessivas do 737.

A inclusão do 787 exigiria que a Southwest abrisse mão de parte dessa simplicidade. A empresa teria de investir em novas habilitações de pilotos, capacidades de manutenção e infraestrutura para suportar uma frota de fuselagem larga. Os voos de longa distância também colocariam a Southwest em concorrência mais direta com American Airlines, Delta Air Lines e United Airlines no mercado internacional.

Southwest já está mudando seu modelo de negócios

A possível expansão da frota ocorre após a Southwest começar a desmontar outros elementos tradicionais de seu modelo de negócios.

A companhia passou a oferecer assentos marcados, cobrar por bagagem e disponibilizar opções de assentos premium, mudanças em relação a políticas que a diferenciavam das grandes empresas aéreas dos EUA. Parcerias internacionais e planos para salas VIP em aeroportos também passaram a integrar sua estratégia comercial.

Alaska Air primeiro Boeing 787-9 Dreamliner
Alaska Air primeiro Boeing 787-9 Dreamliner

Os voos de longa distância permitiriam à Southwest reter clientes que atualmente recorrem a concorrentes para viagens intercontinentais. O CEO Bob Jordan já sugeriu que de oito a doze destinos de longa distância poderiam atender uma parcela significativa da demanda internacional entre os passageiros atuais da empresa.

No entanto, obter as aeronaves pode ser um desafio. A Boeing tem disponibilidade limitada de produção do 787 até o final da década, o que pode levar a Southwest a buscar contratos de leasing ou adquirir jatos de outros operadores.

Alaska Airlines mostra outro caminho para expansão de longa distância

A Alaska Airlines é um exemplo de como uma empresa historicamente associada ao 737 pode entrar no mercado de fuselagem larga, embora em circunstâncias diferentes.

A Alaska adquiriu a Hawaiian Airlines em 2024 e herdou uma frota de Airbus A330 e Boeing 787, além das tripulações e infraestrutura necessárias para operar voos de longa distância. Desde então, tem utilizado esses recursos para desenvolver rotas internacionais a partir de Seattle, onde enfrenta forte concorrência da Delta.

A Southwest teria de construir grande parte dessa operação do zero, a menos que optasse por uma aquisição ou outro acordo com um operador já estabelecido. Diferentemente da Alaska, também estaria introduzindo uma segunda família de aeronaves após décadas evitando deliberadamente a complexidade adicional.

A Southwest Airlines tem a maior frota de 737 do mundo (Goodfon.com)
A Southwest Airlines tem a maior frota de 737 do mundo (Goodfon.com)

Outra questão é onde a Southwest estabeleceria suas operações de longa distância. Baltimore/Washington pode ser candidato para voos à Europa, dada a ampla malha doméstica da empresa no aeroporto. Denver é outra base importante, enquanto Los Angeles e San Francisco ofereceriam acesso ao mercado transpacífico.

A Southwest já mantém parcerias internacionais com companhias da Europa e Ásia, como Icelandair, EVA Air e Singapore Airlines. Esses acordos permitem conexões para destinos no exterior por meio de portões de entrada nos EUA, mas a criação de voos próprios de longa distância exigiria que a empresa definisse quais rotas teriam demanda suficiente para justificar uma frota dedicada.