A GOL pode iniciar a operação de sua própria frota de Airbus A330-900 com quatro aeronaves, número menor que o limite de cinco jatos anunciado pelo Grupo Abra em março. Isso, no entanto, não representa uma redução de sete para quatro aviões, como pode sugerir a existência de sete matrículas brasileiras reservadas para o modelo.
Os sete A330-900 fazem parte de um acordo firmado pelo Grupo Abra, controlador da GOL e da Avianca, e desde o início poderiam ser distribuídos entre as companhias do grupo. Quando anunciou o negócio com a Avolon, em outubro de 2025, a holding informou que havia contratado cinco aeronaves e assinado uma carta de intenção para outras duas.
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Na ocasião, a Abra deixou explícito que os aviões poderiam ser operados por qualquer companhia do grupo, de acordo com suas necessidades e oportunidades operacionais e financeiras. Portanto, não havia naquele momento uma previsão de sete A330neo para a GOL, como um famoso veículo de imprensa sugeriu em artigo recente.
Uma divisão mais concreta apareceu apenas em março deste ano. A Abra anunciou que incorporaria sete A330-900 entre 2026 e 2027 e informou que, inicialmente, até cinco seriam operados pela GOL e dois pela Avianca.

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Os dois destinados à empresa colombiana também são diferentes dos cinco associados à operação brasileira. Eles terão configuração para 377 passageiros, com 12 assentos na classe executiva e 365 na econômica. Os A330 previstos para a GOL aparecem com 298 lugares, sendo 34 na classe executiva e 264 na econômica.
A reserva de matrículas brasileiras também não significa necessariamente que todos os sete aviões integrariam a frota comercial da GOL. Registros atualmente associados ao programa vão de PS-WGA a PS-WGH, enquanto bases de dados de frota já relacionam PS-WGG e PS-WGH à configuração de 377 lugares destinada à Avianca.
Um desses aviões chegou ao Brasil recentemente para apoiar o processo de certificação e preparação da GOL para operar o A330-900, antes de seguir posteriormente para a companhia colombiana. Sua passagem pela operação brasileira, portanto, não representa uma mudança em sua destinação final.

De cinco para quatro?
A possibilidade de a GOL começar com quatro aeronaves próprias tem outra origem. Em julho, Abra e Etihad Airways anunciaram uma parceria que inclui a avaliação do dry lease de um A330-900 da GOL para a companhia dos Emirados Árabes Unidos, com início pretendido para novembro de 2026.
O acordo divulgado naquele momento não confirmou, porém, que a transferência da aeronave estivesse concluída. As empresas disseram que pretendiam avaliar o negócio, sujeito à viabilidade operacional e comercial e às aprovações necessárias.
A operação faria sentido dentro da expansão da Etihad. A companhia encomendou seus próprios A330-900, mas as primeiras entregas estão previstas apenas para 2027. A parceria com a Abra também prevê que a Wamos Air, outra empresa do grupo, possa fornecer capacidade à Etihad.
Caso o dry lease seja efetivamente concretizado, a GOL poderá ficar inicialmente com quatro dos até cinco A330-900 anteriormente previstos para sua operação. Isso seria uma redução em relação ao limite anunciado em março, mas não uma diminuição de sete para quatro aeronaves.

Expansão gradual
A própria forma como a Abra apresentou o plano indicava flexibilidade. Em março, o grupo afirmou que “até cinco” A330-900 seriam inicialmente operados pela GOL, sem estabelecer que as cinco aeronaves permaneceriam necessariamente na companhia.
A introdução dos widebodies também está ocorrendo de maneira gradual. A GOL anunciou Nova York, Lisboa, Paris e Orlando como os primeiros destinos de sua nova operação de longo curso a partir do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.
Nova York começou a ser atendida com aeronaves e tripulantes da Wamos Air, enquanto Lisboa também avançou no cronograma da companhia. Paris e Orlando foram anunciadas como parte da expansão internacional, mas ainda não chegaram ao mesmo estágio de implantação.
A GOL nunca operou o A330neo. Até agora, sua operação regular foi construída em torno da família Boeing 737, enquanto os novos widebodies fazem parte de uma estratégia mais ampla da Abra, que permite movimentar aeronaves e capacidade entre GOL, Avianca e Wamos de acordo com a necessidade de cada empresa.
