A novela sobre o destino do casco do porta-aviões NAe São Paulo, que pertenceu à Marinha do Brasil, ganhou mais um capítulo nesta semana. A embarcação, que está navegando por uma região próxima ao Marrocos, ruma em direção à Turquia, onde deveria ser desmantelada.
No entanto, o governo turco suspendeu a autorização para que o São Paulo seja desmontado pelo estaleiro Sok Denizcilikve Tic, que arrematou o navio em 2021 por R$ 10,5 milhões. O motivo foi a ausência de um relatório que detalhasse as substâncias tóxicas presentes na embarcação, a principal delas o amianto.
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Nesta terça-feira, o governo de Gibraltar, um território na costa da Espanha que pertence ao Reino Unido, determinou que o porta-aviões e o rebocador Alp Centre, que o transporta, sejam proibidos de acessar suas águas territoriais.
Gibraltar fica localizado no estreito de mesmo nome e que dá acesso ao Mar Mediterrâneo. A proibição, no entanto, não é suficiente para impedir que os dois navios passem pela região já que outros países também controlam outras partes da passagem, com cerca de 15 km de largura.

Possível chegada à Turquia em 11 de setembro
A associação médica da Turquia, que é uma das organizações contrárias ao envio do porta-aviões ao país, afirmou que o São Paulo deverá chegar em águas territoriais turcas em 11 de setembro.
Apesar da negativa do governo da Turquia e da intimação emitida pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para que a embarcação retorne ao Brasil, aparentemente ele e o rebocador continuam sua viagem a caminho da Europa.
Há relatos variados sobre a quantidade de amianto no navio, construído pela França nos anos 60 e que serviu com o nome FS Foch até o final dos anos 90. Em 2005, o governo francês teria informado que a classe de porta-aviões continha entre 160 e 200 toneladas de amianto.

Porta-aviões gêmeo, Clemenceau passou por situação parecida
O Clemenceau, irmão do Foch, que foi desmantelado no Reino Unido entre 2009 e 2010, teria cerca de 760 toneladas da substância retirada de seu casco.
Desativado em 1997, o porta-aviões foi vendido para uma empresa espanhola em 2003, que pretendia desmontá-lo também na Turquia, mas a França cancelou o acordo.
Dois anos depois, o governo francês tentou levá-lo para a Índia, onde outro porta-aviões brasileiro, o Minas Gerais, foi desmontado sem quaisquer cuidados.
A tentativa foi frustrada pelo Egito, que impediu que o Clemenceau passasse pelo Canal de Suez. Após discussões prolongadas, a França decidiu trazer o navio de volta. Em 2008, finalmente o porta-aviões seguiu para Hartlepool, no norte da Inglaterra, onde a empresa Able UK o desmontou.

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