Governo dos EUA aprova possível venda de 100 mísseis Stinger ao Brasil

Pacote estimado em US$ 330 milhões inclui armamentos, lançadores e suporte logístico para reforçar a defesa antiaérea brasileira

Míssil Stinger sendo lançado
Míssil Stinger sendo lançado (USMC)

O governo dos Estados Unidos aprovou uma possível venda de 100 mísseis antiaéreos FIM-92K Stinger Block I ao Brasil em um pacote avaliado em US$ 330 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão).

A autorização foi anunciada em 11 de junho pela Agência de Cooperação em Segurança de Defesa (DSCA), órgão responsável pelas vendas militares externas americanas. O processo agora segue para análise do Congresso dos Estados Unidos antes que uma eventual negociação definitiva possa ser concluída.

Além dos mísseis, o pacote inclui lançadores portáteis, serviços de integração, assistência de engenharia, suporte técnico e logístico e outros equipamentos relacionados à operação do sistema.

Segundo o Departamento de Estado, a aquisição fortaleceria a capacidade brasileira de defesa aérea de curto alcance e apoiaria operações de combate ao narcotráfico e vigilância do espaço aéreo.

“A proposta melhorará a capacidade do Brasil de enfrentar ameaças atuais e futuras ao fornecer os mísseis FIM-92K Stinger Block I, fortalecendo sua capacidade de defesa aérea”, afirmou o governo americano no comunicado.

O Stinger tem sido usado há muitas décadas (USMC)

O Stinger é um míssil portátil de defesa aérea empregado por forças armadas de diversos países e capaz de engajar helicópteros, aeronaves voando a baixa altitude e drones. O sistema ganhou notoriedade internacional durante a guerra do Afeganistão nos anos 1980 e voltou a ser amplamente utilizado no conflito entre Ucrânia e Rússia.

A notificação não significa que o contrato foi assinado. O procedimento faz parte do sistema de vendas militares externas dos Estados Unidos, no qual o governo americano informa previamente ao Congresso sobre potenciais exportações de armamentos.

O anúncio surge em meio aos esforços de modernização das capacidades de defesa antiaérea das Forças Armadas brasileiras. Atualmente, o principal sistema portátil de defesa aérea em operação no Exército é o RBS 70 NG, de fabricação sueca.

O valor estimado da operação também chama atenção. Embora inclua suporte técnico, logística e integração, o pacote de US$ 330 milhões representa um dos maiores programas recentes de aquisição de sistemas antiaéreos de curto alcance anunciados para o Brasil.

Os principais fornecedores do negócio seriam a RTX Corporation, antiga Raytheon, fabricante do Stinger, e a Lockheed Martin. O governo americano afirmou ainda que a venda não alteraria o equilíbrio militar da América do Sul e não teria impacto sobre a prontidão das forças armadas dos Estados Unidos.