Portugal escolheu o Grupo Lufthansa para adquirir uma participação minoritária na TAP Air Portugal, encerrando uma concorrida disputa de privatização entre dois dos maiores grupos aéreos da Europa.

A empresa alemã vai adquirir inicialmente 44,9% da TAP, com outros 5% reservados para funcionários da companhia portuguesa. A participação da Lufthansa pode chegar a 49,9% caso os funcionários não adquiram toda a fatia destinada a eles, anunciou o primeiro-ministro Luís Montenegro nesta quarta-feira.

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A transação pode alcançar €1,2 bilhão (R$ 6,7 bilhões) se a Lufthansa adquirir a participação total de 49,9%. A oferta pela fatia inicial de 44,9% está avaliada em pouco mais de €1 bilhão (R$ 5,6 bilhões).

A Air France-KLM foi a outra finalista no processo de privatização. Segundo o governo português, a proposta da Lufthansa superou em 16% a oferta concorrente.

Portugal manterá a maioria do capital da TAP após a transação, que ainda depende de aprovações regulatórias e deve ser concluída em 2028.

Grupo Air France-KLM
Grupo Air France-KLM

Lufthansa mantém TAP na Star Alliance

A escolha garante a permanência da TAP na Star Alliance, da qual é membro desde 2005. O Grupo Lufthansa é um dos fundadores da aliança, enquanto a Air France-KLM integra a rival SkyTeam.

A TAP passará a integrar um portfólio de companhias nas quais a Lufthansa detém controle ou participação relevante, incluindo Lufthansa, SWISS, Austrian Airlines, Brussels Airlines e ITA Airways.

Na escolha do investidor estratégico, Portugal avaliou mais do que apenas o valor da proposta. O processo de privatização incluiu exigências relacionadas à marca TAP, ao hub de Lisboa, à conectividade com mercados de língua portuguesa e à contribuição da companhia para a economia do país.

A proposta da Lufthansa prevê o desenvolvimento da malha da TAP e a criação de um centro de treinamento aeronáutico em Portugal.

A330-900neo da TAP em Guarulhos (Alexandro Dias/CC)
A330-900neo da TAP em Guarulhos (Alexandro Dias/CC)

Rede no Brasil foi ativo estratégico

A posição da TAP entre Europa e Brasil é um de seus principais diferenciais. A companhia portuguesa opera mais destinos no Brasil do que qualquer outra empresa europeia, o que dará ao Grupo Lufthansa acesso adicional a um mercado onde os grupos aéreos europeus disputam intensamente o tráfego de conexão.

A companhia portuguesa também mantém ampla ligação com países africanos de língua portuguesa e utiliza Lisboa como principal hub de conexão entre Europa, América do Sul e África.

A Lufthansa já havia manifestado interesse público na TAP há anos e participou formalmente do mais recente processo de privatização ao lado da Air France-KLM. O International Airlines Group, controlador da British Airways e Iberia, demonstrou interesse anteriormente, mas não apresentou proposta final.

O governo português deixou aberta a possibilidade de vender sua participação remanescente após a conclusão da transação inicial. Qualquer nova privatização dependerá de decisão separada e não faz parte da aquisição atual pela Lufthansa.

A nova privatização ocorre após o fundador da Azul, David Neeleman, ter assumido a empresa portuguesa na década passada, em sociedade com um empresário local. O governo do país, no entanto, decidiu renacionalizar a TAP em 2020 após anos em que ela atuou de forma privada.