Mulheres podem ser super-heroínas e piloto de avião. E o que mais elas quiserem

Longa-metragem “Capitã Marvel” aborda uma super mulher capaz de vencer quaisquer desafios, inclusive o machismo. Não muito diferente de pilotos mulheres na vida real
A Capitã Marvel é interpretada pela atriz norte-americana Brie Larson (Divulgação)
A Capitã Marvel é interpretada pela atriz norte-americana Brie Larson (Divulgação)
A Capitã Marvel é interpretada pela atriz norte-americana Brie Larson (Divulgação)
A Capitã Marvel é interpretada pela atriz norte-americana Brie Larson (Divulgação)

Nos tempos sombrios que o Brasil vive atualmente, a estreia do filme Capitã Marvel é um alento inspirador às mulheres em um país que confunde feminismo como o oposto do machismo. A película que estreou nesta semana no país apresenta uma super-heroína tão poderosa e determinada que faz o Capitão América parecer um menino brincando com um frisbee.

A Capitã Marvel voa, solta raios de fotóns com as mãos, tem super força, é astuta e corajosa, é boa de briga e usa um uniforme cheio de estilo com direito a um capacete com cabelo moicano. Ela é demais. E por trás de todo herói também existe um alter ego, no caso a ambiciosa capitã Carol “Avenger” Danvers, uma habilidosa piloto de testes que trabalha em projetos secretos da força aérea dos Estados Unidos.

O filme mostra as duas facetas da personagem de formas semelhantes, uma mulher que não se dá por vencida em nenhum momento, mesmo subestimada por homens ou figuras alienígenas masculinas com sangue azul dizendo que seus desejos são impróprios para mulheres. Ela cai repetidas vezes, mas sempre se levanta e continua tentando o seu melhor, seja pilotando aviões secretos movidos por energia cósmica ou fazendo justiça com as próprias mãos pelo universo.

À convite da companhia aérea Gol, o Airway assistiu a pré-estreia do novo filme do universo Marvel em São Paulo e pode conversar com duas pilotos da empresa, a comandante Gabriela Carneiro e a co-piloto Andrea Martins, que participaram do evento vestidas a caráter após um dia de trabalho voando pelos céus do país.

Na aviação desde 1996 e piloto da Gol desde 2011, a comandante Gabriela diz que ainda é comum passar por situações constrangedoras no dia a dia. “Já me perguntaram desconfiados se eu realmente iria pilotar o avião. Prefiro acreditar que as pessoas pensam desta forma por pura ingenuidade e não por maldade”, pondera a aviadora que tem habilitação para comandar os jatos Boeing 737 NG e 737 MAX e que já perdeu as contas de quantas horas de voo tem registrada na carteira. “Acho que umas 10 mil horas de voo, está bom pra você?”

A comandante Gabriela e a co-piloto são algumas das cerca de 30 aviadoras que voam com a Gol (Thiago Vinholes)
A comandante Gabriela e a co-piloto são algumas das cerca de 30 aviadoras que voam com a Gol (Thiago Vinholes)

A comandante da Gol, por outro lado, afirma que as manifestações do público costumam ser mais positivas do que negativas, principalmente entre as crianças. “Elas ficam surpresas quando nos veem na entrada dos aviões, as meninas mais ainda. Dá pra perceber que elas ficam orgulhosas. Isso é gratificante.”

Já a co-piloto Andrea nasceu respirando aviação. Filha de pai piloto e mãe comissária de bordo, a primeira oficial, voando com a Gol desde 2010, também relatou ter passado pelas mesmas situações que sua colega de quepe. “Você não pode se abalar. A aviação é um universo dominado pelos homens, mas nós passamos pelos mesmos treinamentos e dificuldades que eles enfrentam”.

Com mais de quatro mil horas de voo no currículo e experiência no comando de jatos Fokker 100 e 737 NG, Andrea iniciou sua carreira de piloto em jatos executivos depois de trabalhar como comissária de bordo. “A aviação é um passo de cada vez e nenhum deles é fácil. Além disso, a aviação não admite quem não tem a preparação correta. Isso vale para todos, seja homem ou mulher.”

“Me identifiquei com o filme da Capitã Marvel nas partes em que ela cai e sempre se levanta novamente. É assim mesmo, e acho que vale para qualquer mulher em qualquer profissão”, contou a comandante Gabriela após o filme. “Quando comecei na aviação a discriminação com as mulheres não era velada. Antes era muito complicado, mas hoje em dia a participação de mulheres na aviação é bem maior”, disse a piloto da Gol.

A afirmação da comandante tem embasamento da ANAC. No ano passado, a agência anunciou que o participação de mulheres pilotos com licenças ativas na aviação brasileira cresceu 106% no período de 2015 a 2017. De acordo com o balanço mais recente do órgão, havia no Brasil um total de 1.465 mulheres pilotos e 46.556 homens.

A Gol, por exemplo, conta com cerca de 30 mulheres em seu quadro de pilotos, entre comandantes e co-pilotos. A companhia emprega atualmente aproximadamente 1.400 aviadores.

A Capitã Marvel interpretada pela atriz norte-americana Brie Larson é uma personagem inspiradora e certamente dará muito trabalho ao vilão Thanos em “Vingadores: Ultimato”, o próximo filme da Marvel. Porém, as pilotos Gabriela e Andrea são mulheres ainda mais fascinantes, pois elas são reais e não uma obra de ficção.

Veja mais: Primeiro voo do supersônico Concorde completa 50 anos

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