Peru adia decisão sobre caça após rumores sobre F-16 ter sido vencedor

Presidente interino empurra potencial contrato de US$ 2 bilhões para 24 aeronaves para seu sucessor

Projeção do F-16 com pintura da Força Aérea do Peru
Projeção do F-16 com pintura da Força Aérea do Peru (Lockheed Martin)

Os planos do Peru para adquirir um novo caça voltou à estaca zero após o governo adiar uma decisão contratual que era esperada nos últimos dias. A mídia local havia informado anteriormente que as autoridades estavam se preparando para anunciar a seleção do Lockheed Martin F-16 Block 70/72 em um acordo envolvendo 24 aeronaves — 20 de um assento e quatro de dois assentos — juntamente com uma aeronave de reabastecimento aéreo Boeing KC-135.

O presidente interino José María Balcázar, no entanto, afirmou que a decisão será deixada para o próximo governo, que deve assumir em julho após as eleições do país. “Deixaremos uma questão de grande magnitude para o novo governo”, disse ele, citando as implicações financeiras do acordo, estimadas em cerca de US$ 2 bilhões.

O anúncio ocorre após relatos de que uma cerimônia de assinatura havia sido agendada, apenas para ser cancelada em curto prazo. O atraso gerou uma reação dos Estados Unidos, com seu embaixador no Peru alertando contra ações que poderiam prejudicar interesses bilaterais, embora Balcázar tenha rejeitado a crítica e afirmado que a compra em si não estava sendo abandonada.

Mig-29 do Peru (MDP)

O Peru tem avaliado opções para substituir sua frota envelhecida de caças Mirage 2000 e MiG-29 por mais de uma década, com o F-16 competindo contra ofertas do Gripen da Saab e do Rafale da Dassault. O caça fabricado nos EUA foi citado mais de uma vez em reportagens locais como a opção preferida, mas alegações anteriores de uma seleção final foram posteriormente negadas pelas autoridades.

A Lockheed Martin acumulou 111 pedidos firmes para a variante Block 70/72 e entregou 37 aeronaves nos últimos anos, para vários países que buscam modernizar suas frotas com uma aeronave versátil e testada, mas mais barata que plataformas mais novas.

O Peru é um dos vários países sul-americanos que passa por um ciclo de renovação de caças. O Brasil já selecionou o Saab Gripen E/F, com 36 aeronaves encomendadas, enquanto a Colômbia também escolheu o caça sueco. O F-16, por sua vez, já está em serviço no Chile e foi recentemente introduzido na Argentina, que está recebendo 24 aeronaves de segunda mão adquiridas da Dinamarca.