Flybondi opera com três jatos em meio à crise financeira se agravando
Companhia aérea de baixo custo argentina vive pior momento em seus oito anos de vida
A companhia aérea argentina de baixo custo Flybondi atravessa o período mais incerto de sua trajetória, com interrupções operacionais impactando as operações. Veículos de imprensa do país sugeriram recentemente que a empresa estaria voando com apenas uma ou duas aeronaves, porém registros de rastreamento de voos indicam que três Boeing 737-800 estiveram ativos na primeira semana de junho.
A divergência evidencia a dificuldade em avaliar a real situação da companhia. Embora a frota da Flybondi tenha sido claramente reduzida e os cancelamentos sigam frequentes, as aeronaves de matrícula LV-KDQ, LV-KJD e LV-KJE realizaram voos nos dias 4 e 5 de junho para destinos como Puerto Iguazu, Córdoba e Corrientes.
A imprensa argentina também noticiou a saída de diversos executivos, incluindo a CEO Paz Lovisolo, que assumiu o cargo no início deste ano. Até o momento, a Flybondi não confirmou publicamente mudanças na gestão.
Fundada em 2018, a Flybondi foi uma das primeiras companhias low-cost da América do Sul e rapidamente se tornou um dos principais símbolos da abertura do mercado aéreo argentino. A empresa sobreviveu tanto à pandemia de COVID-19 quanto ao fechamento do Aeroporto El Palomar, antigo aeródromo militar próximo a Buenos Aires que servia como base de operações de menor custo.
Cabine de jato da Flybondi (Flybondi)
As dificuldades atuais se intensificaram após o grupo de investimentos COC Global Enterprise assumir o controle da empresa em 2025. Os novos proprietários anunciaram planos ambiciosos de expansão, incluindo menções a futuras operações com Boeing 737 MAX 10 e Airbus A220.
Na prática, porém, a frota seguiu caminho oposto. O número de Boeing 737-800 arrendados diminuiu gradualmente, reduzindo a flexibilidade operacional em um momento em que a companhia já enfrentava desafios de confiabilidade.
A Flybondi também encerrou o acordo ACMI com a Avion Express, que fornecia capacidade adicional com Airbus A320 para apoiar a malha da companhia. A saída dessas aeronaves reduziu ainda mais a oferta e aumentou a pressão sobre a frota remanescente.
Segundo relatos argentinos, a companhia cancelou milhares de voos no último ano, enfrentando problemas de manutenção, restrições de disponibilidade de aeronaves e pressão financeira. O resultado tem sido um longo período de instabilidade na malha, afetando a confiança dos passageiros e atraindo crescente atenção de reguladores e analistas do setor.