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25% dos brasileiros entrevistados dizem que vão viajar de avião assim que a quarentena terminas; outros 26% ainda não tem ideia de quando isso vai acontecer (Gol)

Em um cenário de pandemia que dura meses, todos já se perguntam quando começaremos a chamada “nova normalidade”, ou seja: quando retomaremos a vida que tínhamos antes, ainda que de modo diferente?

Esse questionamento é ainda mais delicado quando se trata do turismo. “O setor do transporte aéreo já começa, lentamente, a planejar o reinício das atividades, mas não basta retomar a oferta de voos, é preciso retomar a segurança em viajar”, aponta Luísa Dalcin, diretora de comunicação do buscador de voos Viajala.

Isso porque as inseguranças que assombram os viajantes, mesmo em uma futura retomada, são várias: uma volta do vírus, colocando em risco a saúde dos turistas e locais; a estrutura turística do destino em um cenário pós-pandemia; a cotação das moedas estrangeiras; a saúde financeira de companhias aéreas e agências (que podem não conseguir superar a crise e não honrar com compromissos assumidos) e a própria saúde financeira do viajante ao término do período de isolamento social.

“É natural que haja hesitação por semanas e até meses depois da retomada e será preciso um movimento consistente que envolva os órgão de saúde, as autoridades e as empresas de turismo para que a insegurança de viajar se dissipe e o mercado encontre também o seu ponto de ‘nova normalidade'”, explica Luísa.

Para saber as expectativas de viagens dos latinos para este ano e o ano que vem, o Viajala fez uma pesquisa com 3.000 usuários da plataforma em seis países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru. Apesar do buscador de viagens ter operações no Equador, os usuários do país não foram entrevistados em respeito à gravidade da situação da epidemia no país.

Viagens afetadas pelo coronavírus

Entre as seis nacionalidades consideradas na pesquisa do Viajala, os brasileiros afirmam ter sido os mais afetados: 75% dos entrevistados deixaram de fazer no mínimo uma viagem devido ao coronavírus. Entre os mexicanos, o número também foi alto: 71%. Entre os outros países analisados, a média foi de 56% de desistência ou impossibilidade de embarcar.

Os argentinos e colombianos alegaram que perderam principalmente viagens longas de férias e viagens curtas de lazer, enquanto brasileiros, chilenos, mexicanos e peruanos foram mais afetados nas viagens por motivos familiares.

Expectativas dos viajantes latinos para viagens nacionais

Segundo a pesquisa do Viajala, o cenário de viagens nacionais é mais incerto para argentinos, colombianos e chilenos – no mínimo 40% dos usuários dessas nacionalidades responderam não ter ideia de quando poderão voltar a fazer viagens dentro de seus próprios países.

Já os brasileiros são os mais seguros quanto a isso: apenas 27% declararam não saber quando voltarão a viajar dentro do Brasil, enquanto 26% afirmaram que o farão assim que a quarentena acabar.

Também acreditam que voltarão a circular em território nacional imediatamente após a quarentena os chilenos (19%), os peruanos (18%) e os mexicanos (18%). Já argentinos e colombianos são mais cautelosos: 18% acreditam retomar as viagens em outubro de 2020; e 17% dos viajantes da Colômbia, só em janeiro de 2021.

Expectativas dos viajantes latinos para viagens internacionais

A insegurança dos viajantes com o turismo internacional fica muito clara nessa etapa da pesquisa da plataforma. Os usuários de México, Brasil e Colômbia são os mais preocupados com viagens internacionais, todos com mais de 60% dos usuários declarando não saber quando voltariam a viajar para fora do país. Os dados mais díspares são brasileiros: enquanto apenas 26% têm dúvidas sobre suas futuras viagens nacionais, 66% não têm ideia de quando viajará pelo exterior novamente.

As principais apostas dos usuários entrevistados ficam para 2021: 22% dos argentinos, 15% dos peruanos e 11% dos brasileiros acreditam que suas viagens internacionais voltarão só em janeiro do ano que vem, enquanto 13% dos colombianos preferem deixar para o segundo semestre de 2021, a partir de julho.

Os mais apressados são os usuários mexicanos e chilenos da plataforma. Entre os entrevistados do México, 23% acham que farão turismo internacional ainda este ano, entre julho e outubro. Entre os chilenos, esse número sobe para 28%.

Principais preocupações dos viajantes no mundo pós-pandemia

Para os usuários do Viajala no Brasil, no Chile e no México, a principal preocupação na hora de voltar a viajar para o exterior é financeira, enquanto colombianos e peruanos se mostraram mais apreensivos com a saúde. Os argentinos apontaram as condições da viagem como o maior receio.

Brasileiros, chilenos e mexicanos alegaram que a própria situação financeira é a principal preocupação (34%, 37% e 42%, respectivamente). No Chile e no México, o receio é também de que pontos turísticos e serviços no destino não estejam funcionando normalmente (23% cada), enquanto no Brasil o temor é pela cotação do dólar e de outras moedas estrangeiras (17%).

Para colombianos e peruanos, a apreensão é com uma segunda onda do coronavírus (32% e 33%, respectivamente), e também com a própria situação financeira (30% cada). Já 30% dos argentinos se perguntam como estará o funcionamento de pontos turísticos e serviços do destino em primeiro lugar e, em segundo, com 27%, como estará a própria organização financeira ao fim da pandemia.

Pesquisa no Brasil em detalhes

Os brasileiros foram os mais afetados pelos cancelamentos de voos da pandemia, segundo a pesquisa. Dos entrevistados, 75% deixaram de fazer uma viagem, porque não puderam ou não quiseram voar.

A maioria das viagens que não aconteceram tinha motivação familiar: 40%. Deixaram de fazer viagens curtas, de lazer, 34% dos usuários do Brasil, enquanto outros 16% perderam viagens longas, de férias.

A pesquisa também mostrou que os brasileiros que costumam buscar suas passagens na plataforma estão menos preocupados com a duração das orientações de isolamento que outros usuários latinos do Viajala. Apenas 27% declararam não saber quando voltarão a fazer viagens nacionais, enquanto a média da indecisão dos entrevistados dos outros países foi de 40%.

Outros 26% afirmaram que voltarão a viajar pelo Brasil assim que acabar a quarentena. Para 20%, o prazo mínimo para o retorno das viagens nacionais será outubro de 2020, enquanto 16% acreditam que isso acontecerá já em julho deste ano. Para 11%, as viagens nacionais só devem voltar no ano que vem.

Para Luísa, os destinos nacionais são a “rede de segurança” de quem quer viajar ainda este ano, já que não há como prever como se comportarão os outros países em relação à abertura de fronteiras e quanto vai estar custando o dólar nesse momento. “As viagens nacionais são, em teoria, mais garantidas por serem mais curtas, mais baratas e porque, devido ao cenário, podem ser organizadas mais em cima da hora, sem tanta antecedência”, comenta a executiva do Viajala. “Mesmo assim, é preciso cautela na hora da compra, empurrando os planos para o mais tarde possível no segundo semestre e reservando viagens que permitam cancelamento ou alteração gratuitos, para evitar dor de cabeça caso não dê certo.”

Quanto ao retorno de viagens internacionais, 66% dos brasileiros afirmaram não ter ideia de quando sairão do Brasil novamente. O principal palpite, de 11% dos entrevistados, é o de janeiro de 2021, enquanto 8% acreditam que o turismo internacional só volta em julho do ano que vem e outros 8%, mais otimistas, acreditam no seu restabelecimento já em julho deste ano.

Na hora de voltar a viajar para o exterior, o principal medo dos brasileiros entrevistados pelo Viajala é o próprio bolso: 34% dos participantes declararam que temem pela sua situação financeira quando o forte da crise passar, enquanto 17% se mostraram preocupados com a cotação de moedas estrangeiras, como o dólar e o euro, que deverão seguir altas mesmo no fim da quarentena. Já 15% se perguntam como estará o funcionamento dos pontos turísticos do local a ser visitado, e outros 15% afirmaram temer uma segunda onda do coronavírus.

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