Rússia certifica turboélice Il-114-300 e motor PD-8, ambos nacionais
Aeronave regional e motor turbofan vão apoiar produção local para companhias aéreas do país, afetadas por sanções
O órgão regulador da aviação da Rússia, Rosaviatsia, certificou o turboélice regional Il-114-300 e o motor turbofan PD-8, permitindo que dois dos mais importantes programas aeronáuticos do país do período pós-sanções avancem em direção à operação comercial.
As aprovações ocorrem enquanto a Rússia intensifica esforços para reduzir a dependência de aeronaves, motores e componentes ocidentais após as sanções impostas pela invasão militar na Ucrânia. As restrições praticamente isolaram companhias aéreas e fabricantes russos da Boeing, Airbus e de muitos fornecedores internacionais, forçando o setor a acelerar o desenvolvimento de alternativas nacionais.
O Il-114-300 é uma versão modernizada de um turboélice originalmente desenvolvido na era soviética. Autoridades russas afirmam que a aeronave foi projetada para rotas regionais, especialmente em áreas remotas onde as condições de operação são desafiadoras.
A certificação abrange a versão equipada com motores TV7-117ST-01 e hélices AV112-114, ambos produzidos na Rússia. Segundo as autoridades, a produção em série já começou na fábrica de Lukhovitsy, próxima a Moscou, com três aeronaves atualmente em montagem.
O Il-114-300 usa o motor Klimov TV-7 (UAC)
A estatal GTLK assinou acordo para alocar três Il-114-300 à Arctic Airlines, que deve se tornar a cliente de lançamento. Autoridades russas também informaram que a Aurora Airlines manifestou interesse em adquirir até 20 aeronaves.
O Il-114-300 chega em um momento em que a frota regional russa envelhece rapidamente. Muitas aeronaves que hoje atendem rotas remotas têm origem em projetos da era soviética, enquanto o acesso a substitutos de fabricação ocidental está cada vez mais restrito.
A Rosaviatsia também certificou o PD-8, motor desenvolvido para substituir o SaM146 franco-russo utilizado no programa Superjet.
O PD-8 é peça fundamental do SJ-100, modelo mais recente do Superjet. Diferentemente das versões anteriores, que dependiam fortemente de sistemas e equipamentos estrangeiros, o SJ-100 foi redesenhado com componentes produzidos na Rússia.
Autoridades russas afirmam que os testes de certificação do SJ-100 estão em fase final, embora a aeronave ainda não tenha uma data para iniciar operações comerciais.
O motor russo PD-8 (UAC)
A aprovação do motor é relevante porque elimina uma das principais dependências remanescentes de fornecedores aeroespaciais ocidentais. Antes das sanções, o Superjet utilizava motores produzidos em parceria entre a francesa Safran e a russa NPO Saturn.
A Rússia também desenvolve outros programas aeronáuticos em paralelo, como o jato de corredor único MC-21 e a retomada da produção do Tu-214. Ambos visam preencher lacunas deixadas pela perda de acesso a produtos da Airbus e da Boeing.
Ainda não está claro se esses projetos poderão ser produzidos em larga escala. Embora a certificação elimine um importante obstáculo regulatório, os fabricantes russos ainda enfrentam o desafio de ampliar a produção e fornecer aeronaves suficientes para compensar o envelhecimento gradual das frotas em operação.