O Aeroporto Internacional de Guarulhos está gradualmente ampliando a operação de seu Aeromovel, mas o sistema sobre trilhos que deveria finalmente resolver a precária ligação entre os terminais e a rede ferroviária de São Paulo continua funcionando em caráter de testes.
O People Mover já circula com dois trens entre 16h e meia-noite e, desde 3 de agosto, passou a operar de maneira totalmente automatizada, segundo a AeroGRU, consórcio responsável pelo sistema.
Aos finais de semana também são realizadas simulações que podem chegar a 20 horas de duração, mas sem passageiros fora do horário regular, de acordo com a empresa, porém, o jornal Folha de São Paulo afirmou que a operação plena aos sábados e domingos começará no final do mês, aberta a todos os passageiros.
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A situação é mais um capítulo de um projeto que deveria ter ficado pronto em 2024. O Aeromovel foi construído para percorrer os cerca de 2,7 km entre a estação Aeroporto-Guarulhos, servida pela Linha 13-Jade e pelo Expresso Aeroporto da CPTM, e os três terminais de passageiros.
A conexão é particularmente importante porque a estação ferroviária foi construída fora da área dos terminais. Desde sua inauguração, em 2018, passageiros que utilizam os trens precisam completar o percurso por ônibus gratuitos do aeroporto, uma solução pouco conveniente sobretudo para quem viaja com bagagem.

A construção do People Mover começou em 2022, com previsão inicial de conclusão em 2024. O projeto utiliza tecnologia brasileira de propulsão pneumática, na qual os veículos são movimentados pela diferença de pressão do ar dentro de um duto instalado sob a via elevada.
Operação ainda não é definitiva
O Aeromovel começou a transportar funcionários de empresas do aeroporto em dezembro de 2025 e posteriormente foi aberto aos demais passageiros. A operação, no entanto, iniciou com apenas um veículo e horários bastante restritos, sendo ampliada progressivamente durante este ano.
Apesar de já ser utilizado pelo público, a ANAC não considera o serviço atual uma entrega parcial definitiva do projeto. Um relatório recente da agência caracteriza a atividade como uma operação de testes, durante a qual continuam sendo realizadas calibrações e ajustes.
Vistorias realizadas em julho encontraram interrupções temporárias dos veículos e problemas em equipamentos como painéis informativos e sistema de sonorização. Em uma das inspeções, técnicos também observaram demora na abertura das portas de uma estação.

A agência afirma ainda ter dúvidas sobre a possibilidade de todos os investimentos, testes e processos de certificação serem concluídos até 30 de setembro, prazo atualmente apresentado pela concessionária.
O sistema completo deverá utilizar três veículos (um deles na reserva) e foi projetado para transportar pelo menos 2 mil passageiros por hora e por sentido, com intervalo máximo de 12 minutos. A terceira composição ainda passa pelo processo de comissionamento.
Longa espera por uma conexão simples
A demora para colocar o Aeromovel em funcionamento acrescentou mais alguns anos a uma história que começou antes mesmo da inauguração da Linha 13-Jade.
A ferrovia chegou a Guarulhos em março de 2018, mas sua estação terminal foi implantada a aproximadamente 500 metros do Terminal 1 e ainda mais distante dos terminais 2 e 3, onde se concentra a maior parte dos voos. Uma conexão automatizada já era discutida como solução para vencer essa distância.

O projeto acabou avançando apenas anos depois, quando a GRU Airport optou pela tecnologia Aeromovel em lugar de alternativas inicialmente consideradas. Desde então, a conclusão sofreu diversos adiamentos e se tornou também objeto de cobranças da ANAC e do Tribunal de Contas da União.
A ANAC aplicou uma multa de R$ 12,8 milhões à GRU Airport pelos atrasos na implantação, penalidade que foi mantida recentemente pela diretoria da agência.
O cronograma atual prevê a conclusão e certificação integral em 30 de setembro. O TCU chegou a determinar que o investimento fosse excluído da concessão caso essa data não fosse cumprida, mas posteriormente retirou a exigência automática e estabeleceu que a ANAC deverá avaliar o estágio efetivamente alcançado pelo projeto, incluindo sua segurança, desempenho e utilidade para os passageiros.
