O Projeto Sunrise da companhia aérea australiana Qantas, que visa ligar Sydney sem escalas a Londres e Nova York, sofreu um novo atraso após a Airbus informar que o primeiro A350-1000ULR desenvolvido sob medida será entregue em abril de 2027, quatro meses depois do previsto.

O fabricante europeu atribuiu o adiamento a problemas na cadeia de suprimentos que afetam o cronograma de produção do A350, uma dificuldade que impacta toda a indústria desde a pandemia. A Qantas confirmou a nova previsão em comunicado à NewsWire.

A aeronave, uma versão de alcance ultralongo do A350-1000 com tanque central traseiro adicional de 20.000 litros de combustível, é peça-chave na malha do Project Sunrise.

Com a entrega, o jato widebody permitirá à Qantas operar voos sem escalas de até 22 horas da costa leste da Austrália para Heathrow e JFK, reduzindo em até quatro horas os atuais trajetos com uma parada.

Projeção do A350-1000 da Qantas (Airbus)
Projeção do A350-1000 da Qantas (Airbus)

“Embora a entrega do primeiro avião tenha sido adiada para abril de 2027, os quatro seguintes chegarão em rápida sequência, retomando nosso cronograma original até novembro”, afirmou um porta-voz.

O primeiro exemplar já está na oficina de pintura da Airbus em Toulouse e deve iniciar voos de teste nas próximas semanas, segundo a Qantas. O treinamento de pilotos começou em simuladores em Sydney.

O atraso é mais uma alteração no cronograma de um programa inicialmente previsto para 2023, adiado para 2026 após a pandemia e agora para 2027. Atualmente, a Qantas opera voos sem escalas entre Perth e Londres, utilizando o 787-9, rota que dura cerca de 18 horas. O Project Sunrise pretende ampliar esse modelo para os principais aeroportos da costa leste.

A companhia afirma que o nome do projeto faz referência aos voos Double Sunrise realizados pela Qantas durante a Segunda Guerra Mundial, que permaneciam no ar tempo suficiente para que as tripulações vissem dois nasceres do sol.