Um Airbus A320neo da Air India perdeu temporariamente o uso dos profundores e ailerons após os três sistemas hidráulicos registrarem perda de pressão durante um incidente ocorrido no início deste mês, segundo análise preliminar da Airbus.

A sequência incomum ocorreu em 4 de agosto no voo AI2379, de Phuket, Tailândia, para Delhi. A aeronave perdeu repentinamente cerca de 300 pés (91 metros) de altitude e 24 pessoas ficaram feridas. Posteriormente, pousou em segurança em Delhi.

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O avião envolvido era o VT-EXO, um Airbus A320-251N equipado com dois motores CFM International LEAP-1A26. O jato, número de série do fabricante 8470, realizou seu primeiro voo em 31 de outubro de 2018 e entrou em operação na Air India no mês seguinte. Tem 7,8 anos de uso e atualmente conta com 140 assentos, sendo oito na classe executiva e 132 na econômica.

Inicialmente, a Air India atribuiu o evento à turbulência. As autoridades indianas, porém, classificaram o caso como incidente grave, e dados extraídos do gravador de voo apontam para um evento técnico mais complexo.

Aileron de um A320
Aileron de um A320 | abdallahh

Segundo a avaliação da Airbus, revisada pela Reuters, o A320 registrou perdas de pressão nos sistemas hidráulicos Verde, Azul e Amarelo em rápida sucessão. Esses três sistemas independentes fornecem potência hidráulica aos comandos de voo e a diversos outros sistemas da aeronave.

Por cerca de quatro segundos, os pilotos não conseguiram comandar os profundores e ailerons, responsáveis pelo controle de arfagem e rolagem. Durante esse período, a aeronave inclinou o nariz para cima.

O copiloto aplicou comando total para baixar o nariz, mas a Airbus constatou “nenhuma resposta direta” das superfícies de comando correspondentes. A pressão hidráulica retornou em segundos e os pilotos recuperaram o controle normal.

Informações separadas divulgadas pela imprensa indiana indicam que as três falhas hidráulicas ocorreram em cerca de dois segundos e que a pressão foi restabelecida em sete segundos.

Air India Airbus A320neo
Air India Airbus A320neo | Krish Aarush

A causa das perdas de pressão ainda é desconhecida. A Airbus solicitou à Air India testes nos sistemas hidráulicos, bem como nos sensores e interruptores de pressão. Alguns sensores devem ser removidos para análise, e inspeções na fiação associada também podem ser necessárias.

O fabricante também pediu registros de manutenção hidráulica realizados no mês anterior ao incidente e relatos mais detalhados dos pilotos.

Outra preocupação envolve as cargas suportadas pelo A320 durante a variação de altitude. A Airbus determinou que a aeronave foi submetida a forças acima dos limites especificados e recomendou inspeções estruturais para verificar se houve danos. O VT-EXO permanece estacionado desde o incidente de 4 de agosto.

Três sistemas hidráulicos independentes

A perda dos três sistemas hidráulicos em um intervalo tão curto torna o caso particularmente incomum.

O A320 utiliza três circuitos hidráulicos independentes identificados por cor: Verde, Azul e Amarelo. Cada um normalmente opera a cerca de 3.000 psi e alimenta diferentes sistemas da aeronave, com redundância para os comandos de voo essenciais.

A arquitetura é projetada para que a perda de um circuito hidráulico não prive os pilotos do controle primário de voo. Uma perda simultânea ou quase simultânea de pressão nos três sistemas levanta, portanto, questões além da falha de um componente hidráulico individual.

As informações preliminares não estabelecem se todos os três sistemas realmente sofreram perdas físicas de pressão ou se outra falha afetou seu monitoramento ou funcionamento. A Airbus não identificou uma causa comum e o pedido para examinar sensores, interruptores de pressão e fiação indica que várias possibilidades seguem em investigação.

Até o momento, não foi identificado problema nos computadores primários de comando de voo da aeronave.

Investigação em andamento

O Bureau de Investigação de Acidentes Aeronáuticos da Índia (AAIB) conduz a investigação, com apoio técnico da Airbus e do Bureau de Investigação e Análise para a Segurança da Aviação Civil da França (BEA).

O documento da Airbus é uma avaliação técnica inicial fornecida em resposta a um pedido da Air India e não representa conclusão oficial da investigação.

A investigação também inclui um elemento relacionado à tripulação. Segundo a Reuters, o comandante testou positivo para maconha em exame confirmatório. Até o momento, não há evidências de que o resultado tenha relação com o evento hidráulico ou a perda de altitude.

Após o ocorrido, a Air India implementou testes obrigatórios de substâncias para seus pilotos. Ambos os temas seguem sob investigação, mas as evidências técnicas disponíveis até agora concentram-se nas perdas temporárias de pressão hidráulica e na consequente interrupção do controle primário de voo.