A Administração Federal de Aviação (FAA) concluiu que uma falha de software que afeta algumas aeronaves Boeing 737 MAX não representa risco à segurança, eliminando um problema que havia surgido recentemente durante o processo de certificação do 737 MAX 10.
A decisão foi tomada após análise do Conselho de Revisão de Ações Corretivas (CARB) da agência. Segundo a FAA, a condição não configura risco para a segurança de voo, pois os pilotos mantêm controle total da aeronave e as indicações apresentadas à tripulação são claras e inequívocas.
A decisão ocorre poucos dias depois de o administrador da FAA, Bryan Bedford, afirmar que a agência não avançaria com a certificação do 737 MAX 10 até determinar se a falha de software poderia criar uma condição insegura.
Com a conclusão da análise do CARB, a anomalia de software deixa de ser considerada um obstáculo ao programa de certificação. A Boeing está nas etapas finais do processo de aprovação do MAX 10, embora a aeronave acumule vários anos de atrasos.
Pilotos da WestJet detectaram falha
Novas informações divulgadas com a decisão da FAA detalham como o problema foi descoberto.
Pilotos da WestJet identificaram a anomalia em 2024 durante um voo de validação realizado antes de um 737 MAX entrar em operação comercial. A companhia canadense forneceu dados de voo à Boeing e foi a primeira empresa aérea conhecida a relatar a condição.
A WestJet já havia informado que não registrou eventos relacionados durante operações regulares de passageiros.

A falha envolve as versões U14 e U14.1 do software do computador de gerenciamento de voo fornecido pela GE Aerospace. Sob uma combinação específica de circunstâncias envolvendo arremetida e alterações na rota programada, a função de navegação vertical pode ser desativada.
O problema ganhou mais atenção após algumas companhias recusarem a entrega de novas aeronaves equipadas com o software afetado enquanto a Boeing trabalhava em uma solução.
FAA afirma que pilotos mantêm controle
A avaliação da FAA concentrou-se em determinar se o comportamento do software poderia impedir os pilotos de controlar a aeronave com segurança. O órgão concluiu que não.
Bedford também ressaltou que a condição não está relacionada ao Sistema de Aumento das Características de Manobra (MCAS), sistema de controle de voo envolvido nos dois acidentes fatais do 737 MAX em 2018 e 2019.

A Boeing segue desenvolvendo uma atualização definitiva para o software. Enquanto isso, a fabricante vai divulgar informações explicando como operadores podem identificar e responder à condição.
A FAA também pretende emitir um Boletim Especial de Informação de Aeronavegabilidade (SAIB), fornecendo informações a operadores dos EUA e autoridades de aviação estrangeiras.
A conclusão elimina uma das incertezas recentemente identificadas no programa do MAX 10. O maior integrante da família 737 MAX ainda aguarda certificação da FAA, enquanto clientes como United Airlines, Delta Air Lines, Ryanair e GOL esperam o início das entregas.
