A recém-criada Air Karachi, companhia aérea privada do Paquistão, está em negociações com a fabricante chinesa COMAC para adquirir jatos do C919, o avião narrowbody desenvolvido em Pequim como alternativa aos consagrados Airbus A320 e Boeing 737.

Segundo o empresário Hanif Gohar, presidente do grupo fundador da companhia, também estão em curso conversas com Airbus e Boeing, mas a COMAC desponta como opção estratégica — tanto pelo custo mais competitivo quanto pelo histórico de colaboração sino-paquistanesa na aviação militar.

O Paquistão é hoje um dos aliados mais próximos da China no campo aeroespacial. A parceria entre a PAC (Pakistan Aeronautical Complex) e a Chengdu Aircraft Corporation resultou no caça JF-17 Thunder, usado extensivamente pela Força Aérea Paquistanesa. Além disso, o país foi o primeiro cliente internacional do caça chinês J-10CE, que ganhou notoriedade recentemente ao derrubar um Rafale da Índia em combate.

Entrada do C919 no radar civil do Paquistão

O interesse da Air Karachi pelo C919 surge em um momento de transição na aviação civil paquistanesa. A estatal Pakistan International Airlines (PIA) passa por dificuldades financeiras graves e deve ser privatizada, abrindo espaço para iniciativas privadas com capital nacional, como já ocorreu com a bem-sucedida Air Sial.

A Air Karachi é uma iniciativa privada, mas conta com apoio do governo (Reprodução)
A Air Karachi é uma iniciativa privada, mas conta com apoio do governo (Reprodução)

Lançada em novembro de 2024 com investimento inicial de 5 bilhões de rúpias paquistanesas (cerca de US$ 17,6 milhões) por um consórcio de 100 empresários, a Air Karachi já obteve licença de operação e pretende iniciar voos com três aeronaves em rotas domésticas. O plano é expandir para voos internacionais no prazo de um ano.

Gohar afirma que a escolha do fornecedor dependerá de quem apresentar a melhor proposta primeiro, mas indicou que a COMAC está fortemente considerada como fornecedora inicial.

Se confirmada, a entrada do C919 no mercado paquistanês representaria um marco importante para a indústria aeronáutica chinesa, que busca consolidar sua presença fora da Ásia Oriental e competir com os grandes fabricantes ocidentais em mercados emergentes.