Um jato Airbus A300 que transportou passageiros e cargas durante décadas teve um destino bastante incomum depois de deixar de voar. Em vez de ser desmontado para fornecer peças ou simplesmente virar sucata, o antigo widebody foi deliberadamente afundado no Mar Egeu para servir como recife artificial e atração para mergulhadores.

A operação ocorreu em 4 de junho de 2016, em Kuşadası, importante destino turístico na costa oeste da Turquia. A história voltou a circular recentemente, embora o avião esteja no fundo do mar há uma década.

A aeronave seria um Airbus A300B4, de número de série MSN 105, construído em 1980. O jato começou sua carreira transportando passageiros para a companhia aérea grega Olympic Airways e posteriormente passou pelas mãos de diversos operadores antes de terminar sua vida comercial convertido em cargueiro.

Entre as empresas associadas ao avião ao longo de sua carreira aparecem Farnair Europe, Channel Express, Jet2, ACT Airlines e MyCargo Airlines. Quando foi escolhido para o projeto turco, o A300 já tinha cerca de 36 anos.

Janela do cockpit do A300 afundado em 2016 na Turquia
Janela do cockpit do A300 afundado em 2016 na Turquia | Kusadasi Diving Centre

Primeiro widebody da Airbus

O destino chama ainda mais atenção pelo tamanho da aeronave. O A300 tem aproximadamente 54 metros (177 pés) de comprimento e 44 metros (144 pés) de envergadura.

Lançado comercialmente na década de 1970, o modelo tem importância histórica por ter sido o primeiro avião produzido pela Airbus e também o primeiro widebody comercial bimotor.

A configuração parecia incomum numa época em que grandes aeronaves de longo curso normalmente utilizavam três ou quatro motores. O A300 ajudou a estabelecer a Airbus no mercado internacional e abriu caminho para uma família que posteriormente incluiria o A310.

Centenas de A300 foram produzidos até o encerramento da linha em 2007. Apesar de praticamente desaparecer dos serviços regulares de passageiros, o modelo continua em operação como cargueiro, principalmente nos Estados Unidos.

Interior do A300 afundado em 2016 na Turquia
Interior do A300 afundado em 2016 na Turquia | Kusadasi Diving Centre

Do aeroporto para o fundo do mar

A transformação do antigo A300 em atração turística exigiu uma operação logística considerável.

Autoridades locais adquiriram a aeronave por aproximadamente 270 mil liras turcas, equivalentes a cerca de €82 mil na época. O objetivo era criar um recife artificial que também pudesse estimular o turismo de mergulho em Kuşadası.

Como seria impraticável simplesmente levar o enorme avião inteiro até o local, ele foi desmontado em Istambul e transportado por estrada até a região de Kuşadası.

O A300 foi então remontado e preparado para permanecer debaixo d'água. Componentes e materiais capazes de causar contaminação ambiental precisaram ser removidos antes do afundamento.

A operação atraiu espectadores e mergulhadores. Utilizando equipamentos para controlar sua descida, o antigo Airbus foi lentamente colocado na água até repousar no fundo do Mar Egeu.

O avião ficou a uma profundidade de aproximadamente 20 a 23 metros (66 a 75 pés), suficiente para permitir que mergulhadores recreativos experientes possam visitá-lo.

Porta aberta do jato A300 afundado em 2016 na Turquia
Porta aberta do jato A300 afundado em 2016 na Turquia | Kusadasi Diving Centre

Um novo tipo de passageiro

A expectativa era que a estrutura se transformasse gradualmente em habitat para organismos marinhos. Ao mesmo tempo, o tamanho do A300 permitiria criar um ponto de mergulho muito mais chamativo do que estruturas menores deliberadamente submersas com a mesma finalidade.

Imagens feitas nos anos seguintes mostraram que boa parte da fuselagem, asas e empenagem permaneceu reconhecível, embora progressivamente coberta por organismos marinhos.

Em 2020, quatro anos depois do afundamento, mergulhadores que visitaram o local relataram que o avião já atraía diferentes espécies e havia se consolidado como ponto de mergulho na região.

A transformação significa um destino particularmente raro para uma aeronave comercial. Aviões militares e embarcações são ocasionalmente afundados para criar recifes artificiais, mas as dimensões de um widebody fizeram do antigo A300 uma atração incomum.

Depois de passar mais de três décadas transportando passageiros e carga acima do continente europeu, o Airbus encontrou assim seu último destino a poucos quilômetros da costa turca — onde continua recebendo visitantes, mas agora a mais de 20 metros abaixo da superfície.