O CEO da Airbus, Guillaume Faury, defendeu o uso de equipamentos militares produzidos na Europa no momento em que Portugal se prepara para lançar uma concorrência para aquisição de um novo caça, com expectativa de que o Eurofighter Typhoon dispute com o Lockheed Martin F-35.

Durante o Airbus Defense Summit 2026, realizado em Manching, Alemanha, Faury declarou a jornalistas portugueses que os países europeus devem fortalecer sua base industrial de defesa adquirindo equipamentos desenvolvidos no continente.

“A Airbus é uma empresa construída sobre a cooperação europeia”, afirmou Faury. “Garantimos soberania nas soluções que desenvolvemos.”

Portugal deve iniciar nos próximos anos o processo de substituição de sua frota de caças Lockheed Martin F-16. Embora Lisboa ainda não tenha definido oficialmente os candidatos, o F-35, fabricado nos Estados Unidos, é visto há tempos como uma das principais opções entre os operadores da OTAN que buscam modernizar suas frotas de combate.

Caças F-35A
Caças F-35A

A Airbus integra o consórcio do Eurofighter Typhoon, ao lado da BAE Systems e da Leonardo. Embora o executivo não tenha citado diretamente o F-35, suas declarações fizeram contraponto entre sistemas europeus e a dependência de fornecedores estrangeiros.

Faury argumentou que os governos europeus ainda investem proporcionalmente muito menos em fabricantes de defesa locais do que os Estados Unidos em empresas americanas, e defendeu que esse desequilíbrio deve ser corrigido gradualmente.

“Isso vale para Portugal, mas também para muitas outras concorrências na Europa”, disse. “Queremos garantir que a Europa siga na direção certa.”

Questionado sobre a possibilidade de a Airbus ampliar sua atividade industrial em Portugal em um eventual acordo para fornecimento de caças, Faury destacou a presença já existente da empresa no país, incluindo serviços de engenharia e fabricação de aeroestruturas.

Caças F-16 de Portugal (FAP)
Caças F-16 de Portugal (FAP)

Atualmente, a Airbus mantém parcerias com mais de 30 empresas portuguesas e possui instalações em Lisboa, Coimbra e Santo Tirso. A fábrica da Airbus Atlantic em Santo Tirso produz seções de fuselagem para os programas A320 e A350, embora o local ainda disponha de espaço para futuras expansões.

Faury também respondeu a perguntas sobre o Future Combat Air System (FCAS), iniciativa europeia de caça de sexta geração liderada por França, Alemanha e Espanha, que tem enfrentado sucessivos impasses industriais e políticos.

Segundo o CEO da Airbus, as dificuldades envolvendo partes específicas do programa FCAS não devem ser interpretadas como fracasso da cooperação europeia. Ele afirmou que a Airbus continua considerando viáveis os programas multinacionais de defesa, apesar dos atrasos e disputas em torno do projeto do futuro caça.