Airbus e Indra propõem novo projeto de caça europeu após colapso do FCAS
Empresas aeroespaciais da Alemanha e Espanha buscam continuidade de financiamento para desenvolvimento de aeronave de sexta geração após França e Alemanha abandonarem programa central de caça
Empresas aeroespaciais da Alemanha e Espanha apresentaram formalmente aos seus governos uma alternativa para manter as ambições europeias de um caça de sexta geração, após o cancelamento do programa Future Combat Air System (FCAS).
Uma declaração conjunta assinada por Airbus, Indra, GMV, Grupo Oesia, ITP Aero e Sener solicita a continuidade dos investimentos nas tecnologias desenvolvidas dentro do FCAS e propõe a criação de um novo programa europeu de aeronave de combate, com entrada em serviço prevista para 2040.
A iniciativa surgiu poucos dias depois de Alemanha e França decidirem abandonar o desenvolvimento do caça do FCAS, após anos de impasses entre Airbus e Dassault Aviation sobre liderança, divisão de trabalho e direitos de propriedade intelectual.
Embora a decisão encerre na prática o projeto principal do FCAS, a expectativa é que Alemanha e França sigam com o desenvolvimento de outros segmentos do programa, incluindo sistemas não tripulados e a rede de combate em nuvem, destinada a conectar aeronaves, sensores e armamentos.
Conceito do caça de 6ª geração FCAS (GF)
A proposta mostra a preocupação na Alemanha e Espanha de que anos de pesquisa financiada pelo FCAS possam ser perdidos caso o apoio governamental termine com o fim dos contratos atuais.
Na Alemanha, a Airbus formou uma coalizão chamada Team Gen 6, que reúne empresas como Hensoldt, MTU Aero Engines, MBDA Deutschland, Diehl Defence e Rohde & Schwarz. O grupo defende que a continuidade do desenvolvimento de uma futura aeronave de combate é fundamental para preservar competências e capacidades industriais acumuladas na última década.
Na Espanha, uma coalizão semelhante foi criada sob a liderança da Indra e da Airbus Defence and Space Spain.
Nenhum dos grupos defende uma solução puramente nacional. Ambos destacam a importância da cooperação com outros parceiros europeus, mantendo aberta a possibilidade de aderir a um programa já existente ou criar um novo esforço multinacional.
Programa GCAP
A iniciativa evidencia a crescente incerteza no cenário europeu de caças após o colapso do FCAS. A italiana Leonardo já declarou que a Alemanha seria bem-vinda no Global Combat Air Programme (GCAP), projeto concorrente desenvolvido por Reino Unido, Itália e Japão.
A Espanha terá 115 caças Eurofighter na próxima década (Airbus)
Outra possibilidade envolve uma cooperação mais estreita entre Airbus e Saab. As duas empresas mantêm conversas exploratórias há vários meses, baseadas em colaborações já existentes em sistemas não tripulados e no fortalecimento das relações de defesa entre Alemanha e Suécia.
O fim do FCAS reabriu um debate que parecia superado há décadas na Europa. A França deixou o programa multinacional Eurofighter nos anos 1980 para desenvolver o Rafale de forma independente, enquanto Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido permaneceram juntos naquele que se tornou um dos maiores projetos de defesa do continente.
A Dassault sinalizou que segue disposta a buscar um sucessor para o Rafale sob liderança francesa. A empresa teria explorado possíveis parcerias internacionais, incluindo negociações com a Índia, embora qualquer novo programa deva depender de financiamento externo para compensar custos de desenvolvimento que podem chegar a dezenas de bilhões de euros.