A Airbus alcançou a marca de 10 mil aeronaves fabricadas em 46 anos (Airbus)

A Airbus alcançou a marca de 10 mil aeronaves fabricadas em 46 anos (Airbus)

A Airbus celebrou nesta sexta-feira (14) a entrega de sua aeronave número 10.000, um jato A350-900 para a companhia Singapore Airlines (SIA). O evento foi realizado na fábrica do grupo em Toulouse, na França, e contou com a presença do presidente da fabricante, Tom Enders, e CEO da companhia áerea de Cingapura, Goh Choon Phong.

A aeronave recebedida pela Singapore é o sexto A350-900 adquirido pela empresa, de um total de 67 modelos encomendados. O modelo comemorativo saiu da fábrica da Airbus com um logotipo especial, referente a marca alcançada. Segundo a empresa asiática, o aparelho vai voar na rota entre Cingapura e São Francisco, nos Estados Unidos, até o final deste mês.

“Estamos especialmente orgulhosos de celebrar este marco com a Singapore Airlines, um dos nossos clientes mais longos e um verdadeiro parceiro. Hoje, o grupo SIA opera aeronaves de toda a nossa linha de produtos e com os mais altos níveis de excelência técnica”, celebrou o presidente do grupo Airbus. A SIA é cliente da Airbus desde 1979.

Consórcio europeu

A Airbus foi fundada em 1970 por iniciativa dos governos da Alemanha, França e Reino Unido – a Espanha se juntou ao grupo no ano seguinte. O primeiro avião da empresa foi o A300, um jato wide-body de médio alcance, introduzido pela Air France, em 1974.

No início dos anos 1970, a aviação comercial era dominada por empresas dos EUA, principalmente a Boeing, além de McDonnell Douglas e Lockheed Martin, que ainda fabricavam aeronaves comerciais.

O modelo comemorativo ganhou um logotipo especial referente a marca alcançada (Airbus)

O modelo comemorativo ganhou um logotipo especial referente a marca alcançada (Airbus)

Curiosamente, os primeiros acionistas do consórcio europeu foram fabricantes do mesmo continente que posteriormente faliram ou foram superados pela Airbus em poucos anos. Eram eles a Aérospatiale, Deutsche Aerospace, Hawker Sidderley e a Fokker.

Inicialmente trabalhando somente no setor dos widebody (jatos de fuselagem larga) com o A300 e A310, introduzido em 1983, a Airbus passou a ganhar notoriedade quando passou a fabricar aeronaves menores, de apenas um corredor (os “narrowbody”, corpo estreito), com o lançamento da família A320, em 1987, hoje o avião comercial a jato mais vendido do mundo.

O A300 foi o primeiro avião da Airbus e a Air France, o primeiro cliente da fabricante (Airbus)

O A300 foi o primeiro avião da Airbus e a Air France, o primeiro cliente da fabricante (Airbus)

Com o crescimento sustentado pelas vendas do A320, a Airbus investiu em novas aeronaves de grande porte e longo alcance no início da década de 1990. A fabricante encerrou as linhas de montagem dos modelos A300 e A310 e iniciou em seguida, em 1993, a produção em série do quadrimotor A340 (descontinuado em 2011), e, no ano seguinte, do bimotor A330.

Na década seguinte, em 2005, a Airbus impressionou o mundo quando decolou pela primeira vez o gigante A380, que tomou do Boeing 747 o posto de maior avião de passageiros do mundo, capaz de transportar até 868 ocupantes, embora nenhuma empresa tenha escolhido essa configuração de cabine, composta apenas por assentos de classe econômica.

Os principais destaques das aeronaves Airbus ao longo dos anos (clique para ampliar)

Os principais destaques das aeronaves Airbus ao longo dos anos (clique para ampliar)

A aeronave mais recente da Airbus é o jato de grande porte A350 XWB, considerado um dos mais modernos da atualidade. O aparelho entrou em operação em 2015 e vem sendo um dos aviões comerciais de longo curso mais encomendados pelas companhias, com mais de 800 pedidos – até o final de setembro a fabricante já havia entregado 41 jatos A350.

Aviões eletrônicos

Boa parte da fama dos aviões da Airbus vem de seus comandos de voo computadorizados, sistema conhecido como “fly-by-wire” (controle de voo por cabo elétrico). Esse recurso substitui os comandos mecânicos, realizados por cabos de aço e sistemas hidráulicos. Nos aviões do fabricante europeu, as superfícies de controle são movimentadas por atuadores elétricos, o que permite automatizar uma série de funções da aeronave.

Além dos comandos fly-by-wire, a Airbus também encontrou novas formas de reduzir o peso de seus aviões. O A350, por exemplo, possui uma série de componentes construídos com fibra de carbono, material tão resistente quanto o metal, porém muito mais leve. Essa solução reduz o consumo de combustível em cerca de 25% comparado aos jatos da geração anterior e, consequentemente, aumenta o alcance da aeronave na mesma proporção.

A fabricante trabalha atualmente na próxima geração do A330, chamado A330neo, com a primeira entrega programada para o final de 2017. Recentemente, a Airbus iniciou as entregas dos primeiros A320neo, a nova geração da família A320, equipado com recursos especiais para reduzir o consumo de combustível, como os sharklets, dispositivos aerodinâmicos nas postas das asas.

E a Airbus ainda tem muitos aviões para fabricar. A empresa tem pedidos para mais de 6.700 aeronaves, encomendadas por cerca de 400 companhias aéreas do mundo todo.

O A380 é o maior avião de passageiros do mundo, mas seu mercado anda em baixa (Airbus)

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