Um dos aviões conceito da Airbus que usará hidrogênio em vez de querosene (Airbus)

A Airbus decidiu fazer uma aposta diferente no que tange uma alternativa ao uso de combustíveis fósseis para propulsionar seus aviões comerciais. Em vez de optar pela energia elétrica a fabricante europeia revelou nesta segunda-feira, 21, que estuda tecnologias baseadas no uso do hidrogênio como fonte primária de combustível.

Para ilustrar as possibilidades desse caminho, a Airbus mostrou três aeronaves conceito, um jato semelhante aos atuais, mas que usa o hidrogênio, um turboélice e um projeto BWB (Blended-Wing Body, uma espécie de asa voadora).

“Este é um momento histórico para o setor de aviação comercial como um todo e pretendemos ser protagonistas na mais importante transição que este setor já viu. Os conceitos que revelamos hoje oferecem ao mundo um vislumbre de nossa ambição de conduzir uma visão ousada para o futuro dos voos com emissão zero ”, afirmou Guillaume Faury, CEO da Airbus.

Batizados com o codinome “ZEROe”, esses projetos pretendem atingir as metas de descarbornização na indústria de aviação e poderiam estar disponíveis a partir de 2035.

Faury, no entanto, condicionou o desenvolvimento da tecnologia à ajuda de governos por conta da necessidade de investir na transição para o uso do hidrogênio e que também exigirá que aeroportos de adaptem para transportar, armazenar e manusear esse tipo de combustível, considerado limpo, mas complexo de ser mantido em segurança.

O grande desafio das aeronaves movidas a hidrogênio é armazenar o combustível, que não poderia ser transportado nas asas como o querosene. A solução estudada pela Airbus prevê um tanque na cauda do avião, que seria mais longa que a dos aviões atuais no caso de projetos semelhantes.

O conceito de turboélice lembra um ATR, mas poderá levar até 100 passageiros (Airbus)

Veja como são os três conceitos da ZEROe da Airbus:

Projeto de turbofan: com capacidade de 120 a 200 passageiros, esse avião é semelhante a um A320, mas possui asas mais delgadas mas com envergadura muito maior, além da cauda alongada para receber o hidrogênio. Os motores seriam adaptados para funcionar com o combustível limpo em vez de querosene, possibilitando um alcance de pelo menos 3.700 km.

Projeto de turboélice: lembrando um modelo ATR, o turboélice usaria o mesmo conceito do turbofan e ofereceria uma autonomia de cerca de 1.850 km e capacidade para até 100 passageiros.

Projeto BWB: é o mais ousado e talvez o mais propício para usar hidrogênio, já que seria capaz de armazenar o combustível na sua volumosa estrutura. Na visão da Airbus, esse avião poderia transportar até 200 passageiros.

A opção pelo hidrogênio, no entanto, exigiria um alinhamento não só da indústria como dos principais países que dominam a tecnologia de desenvolvimento de aeronaves, o que em si só já é um desafio mais político do que técnico. Certamente ninguém aceitaria ficar para trás nessa corrida verde – nem russos e chineses, muito menos os norte-americanos.

“Juntamente com o apoio do governo e de parceiros industriais, podemos enfrentar o desafio de aumentar a escala de energia renovável e hidrogênio para o futuro sustentável da indústria da aviação”, afirmou Faury.

Um sucessor para a família A320 teria a cauda mais longa para armazenar o combustível (Airbus)

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