A Eve Air Mobility alcançou dois novos marcos no processo de certificação do carro voador Eve 100 após a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) divulgar critérios revisados de aeronavegabilidade para consulta pública e a empresa solicitar o início da validação europeia do futuro certificado de tipo da aeronave.
A consulta, aberta até 18 de agosto, abrange um conjunto revisado de requisitos de certificação publicado inicialmente pela ANAC no final de 2024. Paralelamente, a Eve protocolou seu pedido junto à Agência de Segurança da Aviação da União Europeia (EASA), que validará o certificado de tipo brasileiro assim que for emitido.
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Os critérios revisados ampliam e detalham exigências técnicas em praticamente todos os aspectos da certificação da aeronave. Entre as atualizações estão novas definições de desempenho que diferenciam aeronaves capazes de manter voo controlado após falha crítica de propulsão daquelas que conseguem continuar subindo com segurança após esse tipo de evento.
A ANAC também aprimorou requisitos relacionados a sistemas de propulsão elétrica, armazenamento de energia, comandos de voo, integridade estrutural, software, resistência a impactos, proteção contra colisão com aves, proteção contra raios e manutenção da aeronavegabilidade.
O documento ainda alinha diversos conceitos de certificação ao arcabouço da FAA para aeronaves de decolagem e pouso vertical motorizadas, preservando a base de certificação brasileira para o Eve 100.

No caso da propulsão elétrica, a proposta estabelece padrões de certificação para sistemas de baterias, arquitetura elétrica de alta voltagem, refrigeração, software de controle dos motores, contenção dos rotores, testes de resistência e gerenciamento de energia. Também exige que os candidatos demonstrem proteção contra riscos como eventos térmicos, falhas elétricas e perda de controle da propulsão.
As regras propostas ainda introduzem caminhos de certificação distintos conforme o desempenho da aeronave. Na categoria de “desempenho essencial”, a aeronave deve permanecer controlável e realizar um pouso de emergência seguro após perda crítica de empuxo. Já o padrão mais rigoroso de “desempenho ampliado” exige que a aeronave continue subindo, ultrapasse obstáculos e mantenha o voo após o mesmo tipo de falha.
A Eve formalizou o pedido de certificação de tipo junto à ANAC em 2022. Posteriormente, iniciou processo de validação simultânea com a Federal Aviation Administration dos Estados Unidos e agora incluiu a EASA no programa. Embora a ANAC seja responsável pela emissão do certificado de tipo original, a validação pela FAA e pela EASA é necessária antes que a aeronave possa operar nesses mercados.



