A Total Linhas Aéreas está impedida de realizar voos desde terça-feira (1º) após a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) suspender integralmente e por prazo indeterminado as operações da companhia aérea cargueira.
A medida cautelar foi aprovada pela diretoria da agência em reunião extraordinária e publicada nesta quarta-feira (2). Segundo a ANAC, a Total só poderá voltar a operar depois de corrigir uma série de não conformidades consideradas críticas ou de nível alto e demonstrar que possui condições adequadas para manter suas operações.
Até a véspera da suspensão, a companhia ainda mantinha dois Boeing 737-400F em atividade. Dados de rastreamento de voos mostram que o PS-TLE voou de São Paulo/Guarulhos para Recife em 1º de setembro, enquanto o PS-TLG realizou os trechos Guarulhos-Florianópolis e Florianópolis-Porto Alegre no mesmo dia.
A Total possui cinco 737-400 cargueiros associados à sua frota, todos com cerca de três décadas de idade. Os outros três já estavam sem atividade recente: o PS-TLH realizou seu último voo registrado em 22 de agosto, o PS-TLF em 14 de julho e o PS-TLA não apresenta movimentos há mais de três meses.
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A empresa atua atualmente apenas no transporte de cargas e possui contratos com os Correios para a movimentação de encomendas pela Rede Postal Aérea Noturna (RPN).
Problemas apontados pela ANAC
A decisão da ANAC decorre de um processo de acompanhamento que já havia resultado na adoção de outras medidas cautelares contra a Total.
Segundo o voto do diretor Rui Chagas Mesquita, a quantidade de não conformidades encontradas na companhia era proporcionalmente significativamente superior à verificada em outros operadores do mesmo segmento.

As deficiências abrangem áreas como aeronavegabilidade continuada, procedimentos de segurança operacional e proteção da aviação civil contra atos de interferência ilícita. A agência também identificou problemas relacionados ao Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional (SGSO) e ao Sistema de Análise e Supervisão Continuada (SASC).
A ANAC considerou insuficientes as ações corretivas apresentadas pela Total e apontou que sucessivas mudanças de gestores contribuíram para a perda de conhecimento técnico dentro da organização.
A situação havia se agravado poucas semanas antes da paralisação completa da companhia. Em 18 de agosto, a ANAC suspendeu o Certificado de Organização de Manutenção da Total, impedindo a empresa de executar atividades abrangidas por essa certificação.

Para recuperar seu certificado de operador aéreo, a Total terá de eliminar as não conformidades críticas e de nível alto, regularizar os controles relacionados à aeronavegabilidade continuada, demonstrar a efetividade de seus sistemas de gerenciamento e supervisão de segurança e passar por novas auditorias da agência.
Planos para voltar aos voos de passageiros
Embora atualmente seja uma companhia exclusivamente cargueira, a Total anunciou repetidas vezes nos últimos anos que pretendia retornar ao transporte regular de passageiros.
Em dezembro de 2023, a empresa promoveu um evento em Brasília para apresentar uma nova identidade visual e seus planos para voltar ao mercado. Na ocasião, pretendia estabelecer um hub na capital federal e utilizar aeronaves ATR 42 e Embraer ERJ 145 em rotas regionais.

O projeto sofreu diversas mudanças desde então. Em 2024, o presidente da Total, Paulo Almada, chegou a revelar negociações para adquirir até quatro COMAC C919. O executivo argumentava que o avião chinês poderia ser uma alternativa diante das dificuldades para obter novas aeronaves da Airbus e da Boeing.
A negociação não resultou em encomenda e o C919 sequer possui certificação da ANAC para operar comercialmente no Brasil.
Posteriormente, jatos Embraer E190 e E195 passaram a ser associados aos planos da Total. Atualmente, dois E190 permanecem armazenados e aparecem em bancos de dados de frota como destinados à companhia, mas não chegaram a entrar em serviço.
No início de 2026 também surgiu o projeto POP Linhas Aéreas, associado à Total e voltado ao transporte regional de passageiros. Nenhuma dessas iniciativas havia resultado no retorno da empresa aos voos regulares de passageiros antes da suspensão determinada pela ANAC.
