O B-21 Raider: uma asa voadora como seu irmão mais velho, mas com diferenças (Northrop Grumman)

A Força Aérea dos EUA (USAF) afirmou na semana passada que o cronograma de desenvolvimento do B-21 Raider continua em dia, com o primeiro voo do bombardeiro invisível aos radares mantido para dezembro de 2021. Em uma conferência com jornalistas, o diretor do programa Randall Walden confirmou que mesmo com as dificuldades criadas pela pandemia do coronavírus o programa segue dentro do esperado.

Para evitar possíveis imprevistos, a USAF decidiu equipar uma aeronave de um modelo não revelado com os aviônicos e subsistemas do B-21 a fim de testá-los em paralelo à fabricação do primeiro protótipo pela Northrop Grumman. “Temos uma aeronave de teste de vôo na qual instalamos alguns desses subsistemas para mitigar os riscos de atraso”, afirmou Walden. A iniciativa de testar os sistemas da aeronave antes do primeiro voo é justamente para evitar possíveis atrasos com bugs de projeto, explicou o diretor.

O B-21 Raider é um bombardeiro em formato de asa voadora, assim como o B-2 Spirit, também desenvolvido pela Northrop Grumman. Outra semelhança com o primeiro bombardeiro stealth da USAF é o fato de o avião estar sendo construído nas instalações da Força Aérea em Palmdale, Califórnia. A chamada “Plant 42” tem sido utilizada pelo governo dos EUA há muitas décadas como um local seguro para que os fornecedores possam desenvolver projetos avançados sem riscos de vazamento.

Foi nela que o B-2 foi revelado em 1988 em uma cerimônia curiosa em que a aeronave só foi mostrada ao público à distância. Outros célebres projetos que utilizaram a Plant 42 foram o avião espião SR-71 e o F-117, ambos desenvolvidos pela “Skunk Works”, divisão avançada da Lockheed Martin e que é uma “inquilina” de longa data em Palmdale.

Após ser concluído, o B-21 decolará em direção à Base Aérea de Edwards, há cerca de 37 km, onde passará por longos testes antes de ser considerado operacional. Mais barato que o B-2, o novo bombardeiro deve ter 100 unidades encomendadas, com previsão de entrada em serviço em meados dos anos 2020.

Até o momento pouco se sabe do modelo, apenas ilustrações oficiais do governo que mostram uma enorme semelhança com o B-2. As entradas de ar dos motores, por exemplo, tem um corte oblíquo em vez do serrilhado, além de os turbofans estarem posicionados bem na junção asa-fuselagem. No B-2, os quatro motores GE F-118 ficam mais afastados e têm saídas de ar mais aparentes que no Raider, supostamente instaladas na parte inferior das asas.

Por falar na parte traseira, o recorte do B-21 possui apenas dois “V” enquanto no B-2 são quatro. Outra mudança está no para-brisa do cockpit, mais simples no Raider que não possui janelas laterais. O Raider substituirá não apenas o caro B-2 como o B-1B, mas conviverá por um bom tempo com o B-52.

A apresentação do B-2 em 1988: B-21 está sendo fabricado no mesmo lugar, a chamada “Plant 42” (USAF)

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