A construção de aeroportos faz parte do plano chinês para reduzir a estimular a economia local e reduzir os índices de pobreza no país (Prcshaw – Commons Wikimedia)

Enquanto nações por todo o mundo permanecem estranguladas pela paralisação da economia global em meio a pandemia do novo coronavírus, a China já conseguiu controlar a situação e está inaugurando um aeroporto atrás do outro. Desde março, quando as atividades de construção civil foram retomadas no país, os chineses entregaram 12 novos terminais aéreos.

A “ANAC” da China, a Administração de Aviação Civil da China (CAAC), informou nesta semana que o 13° novo terminal aéreo chinês em 2020 será inaugurado em outubro, o Aeroporto Ankang Fuqiang, na província de Shaanxi, onde foram descobertas as esculturas milenares do Exército de terracota. Também está em construção o Aeroporto Wulong Xiannushan, em Chongqing, no sudoeste da China, informou a agência chinesa.

No último dia 3 de agosto, o Aeroporto Zhangjiakou Ningyuan foi reaberto com ampliações em preparação para os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, em 2022. O terminal a noroeste da capital chinesa agora possui um novo terminal, pátio e uma pista estendida, com capacidade para movimentar até 1 milhão de passageiros por ano, 40% a mais que a capacidade anterior. O aeródromo também sedia uma base aérea militar.

Mais aeroportos, menos pobreza

No contexto da pandemia de Covid-19, a construção desenfreada de aeroportos na China pode parecer excessivamente ambiciosa. No entanto, expandir e modernizar a infraestrutura aérea em velocidades vertiginosas serve a um propósito mais amplo: zerar a pobreza em todo território chinês.

A construção de aeroportos estimula as economias locais, sobretudo em regiões de baixa renda. Uma cidade com um terminal aéreo atrai investimentos e estimula o turismo. Em um país tão grande como a China, é um elemento fundamental para reduzir os tempos de viagem. Desde o final de março, os chineses retomaram os trabalhos em mais de 30 projetos, incluindo a inauguração do que será o quarto maior hub internacional da enorme nação asiática, o Aeroporto Chengdu Tianfu, programada para 2021.

De acordo com a CAAC, “continuar a expandir os serviços de transporte aéreo em áreas atingidas pela pobreza” continua sendo uma ambição fundamental, já que a China entrou na reta final de seu 13º plano de cinco anos para reduzir os índices de pobreza no país, que termina neste ano. No próximo plano, os chineses querem zerá-lo. E isso inclui construir mais aeroportos.

“O CAAC continuará a aprofundar a implementação de várias tarefas para a redução da pobreza em 2020 para garantir a conclusão e comissionamento de novos aeroportos”, disse Bao Yi, vice-diretor do departamento de planejamento de desenvolvimento do CAAC.

Após implementar um dos lockdown mais rígidos do mundo durante a pandemia, a China conseguiu controlar a disseminação interna em massa do vírus e hoje respira aliviada. Viagens domésticas estão estimulando o crescimento econômico local e o país vem introduzindo novos serviços internacionais regulares com cautela: 50 países já estão reconectados com voos para cidades chinesas, atendidas por 19 companhias aéreas locais e 74 transportadoras estrangeiras.

Se em algum desses voos são detectados passageiros infectados pela Covid-19, a CAAC pode suspender a rota. Foi o que aconteceu recentemente com o voo da Etihad Airways de Abu Dhabi para Xangai e o China Eastern Airlines de Manila (capital das Filipinas) para Xangai e as operações da Sri Lanka Airlines de Colombo (capital do Sri Lanka) para Xangai. Os trechos serão suspensos por um período de quatro semanas a partir de 17 de agosto.

Existem atualmente atualmente cerca de 235 aeroportos na China que recebem voos comerciais, sendo quase 40 deles com terminais internacionais. Até 2035, o plano é chegar a 450 aeroportos. Maior mercado de aviação do mundo, os EUA tem hoje cerca de 500 aeroportos homologados para operações comerciais. Quinto maior país do mundo em extensão territorial, o Brasil possui apenas 99 aeroportos (sendo 18 internacionais) com voos comerciais.

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