"Tango 1", um Boeing 757, é o avião presidencial da Argentina (Creative Common)

O Boeing 757 “Tango 01” foi adquirido durante a administração de Carlos Menem, em 1992 (Creative Common)

Fora de serviço desde janeiro de 2016, o Boeing 757-200 “Tango 01” de transporte presidencial da Argentina pode ser reativado em breve, aponta a imprensa argentina.

Um orçamento teria sido solicitado pelo congresso argentino para recondicionar a aeronave e devolvê-la ao serviço na mesma função que cumpria anteriormente. Não só isso, o jato também deve receber tanques de combustível adicionais para ampliar seu alcance, que atualmente é de 7.400 km. O custo para recuperar o avião e atualizá-lo é estimado em cerca de US$ 20 milhões.

O Tango 01 foi retirado de serviço por ordem do ex-presidente Mauricio Macri pouco menos de um ano após assumir o cargo. Na época, ele alegou que o jato fabricado pela Boeing em 1992 gerava custos que o país não podia arcar e pretendia vendê-lo.

Na Argentina, as aeronaves de transporte oficial são reunidas pela Agrupación Aérea Presidencial, organismo que não tem ligação com a força aérea argentina. Além do 757, o agrupamento conta ainda com um Boeing 737-500 (Tango 04), um Learjet 60 (Tango 10) e três helicópteros. O grupo especial foi criado durante a administração de Carlos Menem, em 1992.

A administração do presidente Alberto Fernández, eleito no ano passado, não comentou sobre a possibilidade de recuperar o Tango 01.

O “fetiche” de países pobres por aviões presidenciais

Aviões presidenciais são como uma vitrine de países durante viagens de seus governantes para o exterior. Além de meios de transporte eficientes e seguros, esses aviões mostram a imponência e poder aquisitivo de uma nação ao resto do mundo. No entanto, em muitos casos a realidade é completamente diferente.

Governantes de países que apresentam índices de desenvolvimento social baixos têm um certo “fetiche” por viajar em aviões presidenciais e não se importam com os custos que eles geram.

O México, por exemplo, tinha a disposição uma das aeronaves de transporte oficial mais avançadas (e caras) do mundo, um Boeing 787 Dreamliner. Em um esforço para reduzir os gastos, o novo presidente do país eleito em 2019 vem tentando desesperadamente vender o jato, chegando a propor até uma rifa para se desfazer do avião comprado por seu antecessor.

Mais um caso absurdo vem da Guiné Equatorial. Apesar de ser um dos países mais pobres do mundo, a nação africana que vive uma severa ditadura conta com um Boeing 777 para transporte presidencial. Outro país do terceiro mundo que possui um “triple seven” na mesma função é Bangladesh.

O presidente/ditador de Guiné Equatorial tem um Boeing 777-200 a sua disposição (Lukas Kinneswenger)

O Brasil é outro país que comete exageros nessa área. O avião presidencial brasileiro, um Airbus A319 executivo, é até adequado para a função e ainda tem muitos anos de serviço pela frente. Porém, incomoda a grande quantidade de aeronaves da Força Aérea Brasileira exclusivas para transportar políticos brasileiros e a forma imoral como esses meios são utilizados.

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