A Alemanha acusou formalmente a Rússia de realizar um ataque com drone explosivo que teve como alvo uma aeronave cargueira Antonov An-124 ucraniana no Aeroporto de Leipzig/Halle em agosto, acrescentando o episódio à crescente lista de operações de sabotagem atribuídas à Rússia na Europa.
O governo alemão anunciou a atribuição da responsabilidade em 1º de setembro, quase um mês após o incidente. Segundo a Reuters, Berlim afirmou que sua investigação concluiu que os responsáveis pelo controle do drone agiram em nome de agências estatais russas. Moscou rejeitou a acusação.
O ataque ocorreu na noite de 4 de agosto, quando um drone FPV (first-person-view) carregando uma carga explosiva voou em direção a um An-124 operado pela Antonov Airlines da Ucrânia e atingiu uma das asas da aeronave enquanto ela estava estacionada em Leipzig/Halle.
O artefato explosivo não detonou e foi posteriormente recuperado no solo. Imagens de vigilância analisadas durante a investigação indicaram que o drone se aproximou deliberadamente da aeronave, descartando a hipótese de entrada acidental na área do aeroporto.
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A falha na detonação da carga explosiva evitou danos potencialmente muito mais graves a uma das maiores aeronaves cargueiras em operação no mundo.
A Alemanha convocou o embaixador russo após a investigação e anunciou medidas diplomáticas contra instituições russas no país. Autoridades alemãs classificaram o episódio como parte de uma campanha de operações híbridas atribuídas a Moscou.

Outra aeronave envolvida
Investigadores também analisaram outras atividades de drones nas proximidades de Leipzig/Halle na mesma noite.
Suspeita-se que um segundo drone tenha colidido com um Boeing 757 cargueiro da DHL, que foi posteriormente desviado para Hannover. Danos foram encontrados na cauda da aeronave, enquanto investigadores teriam descartado a possibilidade de colisão com ave como causa.
A imprensa alemã também noticiou que um terceiro drone foi recuperado posteriormente, enquanto investigadores tentavam reconstituir a operação.
As circunstâncias tornaram o incidente consideravelmente mais relevante do que os relatos iniciais de agosto, quando autoridades investigavam a descoberta de drones e explosivos próximos a aeronaves no aeroporto. Evidências posteriores indicaram que ao menos um dos dispositivos realmente atingiu o alvo pretendido.
Base da Antonov fora da Ucrânia
A escolha de uma aeronave da Antonov Airlines como alvo é especialmente significativa porque Leipzig/Halle tornou-se a principal base operacional da cargueira ucraniana fora do país de origem.
A Antonov transferiu grande parte de suas operações para a Alemanha após a invasão russa em larga escala à Ucrânia em fevereiro de 2022 e a destruição de sua base no Aeroporto de Hostomel, próximo a Kiev.
A empresa opera seus An-124-100 restantes a partir de Leipzig/Halle, que já era um importante centro cargueiro europeu antes da guerra. As aeronaves de quatro motores são capazes de transportar cargas excepcionalmente grandes e pesadas e têm sido amplamente utilizadas em missões comerciais e governamentais.

Os An-124 também realizaram missões de transporte estratégico para países da OTAN no âmbito do programa Strategic Airlift International Solution, conhecido como SALIS, que oferece acesso a capacidade de carga fora do padrão, escassa entre operadores europeus.
Não há confirmação de que o An-124 alvo do ataque em agosto transportava armas ou munições para a Ucrânia. Autoridades alemãs contestaram alegações de que as aeronaves Antonov em Leipzig/Halle estivessem carregadas com carga militar no momento do incidente.
A frota de An-124 tornou-se particularmente difícil de substituir. A Antonov perdeu o único An-225 Mriya durante os combates em Hostomel em 2022, enquanto vários An-124 ucranianos ficaram fora do controle da empresa após a invasão russa.
As aeronaves ucranianas remanescentes estão entre os poucos An-124 disponíveis para operações comerciais internacionais, conferindo à frota papel fundamental no transporte de cargas que não cabem em cargueiros convencionais.
