Os pilotos de um Boeing 787-9 da Vietnam Airlines que ultrapassou o final da pista durante a decolagem em Munique relataram que a aeronave parou de acelerar e depois voltou a perder velocidade antes de finalmente sair do solo.
O relato oferece a descrição mais clara até agora do que ocorreu a bordo do voo VN34 em 15 de agosto e ajuda a explicar vídeos que mostram o 787, com destino a Hanói, utilizando praticamente toda a pista 26L de 4.000 metros antes de seguir além do pavimento.
Siga AIRWAY: WhatsApp | Instagram | LinkedIn | Twitter | Facebook
Segundo informações preliminares da Autoridade de Aviação Civil do Vietnã, os pilotos disseram que a aeronave parou de acelerar por cerca de dois segundos quando estava aproximadamente na metade da pista. A aceleração então foi retomada e o 787 atingiu V1, a velocidade de decisão para decolagem.
Após passar de V1, no entanto, a tripulação percebeu que a velocidade da aeronave voltou a diminuir. Nesse momento, os pilotos determinaram que não havia pista suficiente restante para rejeitar a decolagem com segurança. Eles aumentaram a potência dos motores ao máximo e continuaram a tentativa de decolagem.

A rotação da aeronave começou com cerca de 91 metros de pista restantes. Imagens divulgadas posteriormente em Munique mostram o 787 seguindo além do final pavimentado da pista, levantando uma grande nuvem de poeira antes de finalmente iniciar a subida.
A aeronave emitiu alertas indicando tail strike (choque da cauda no solo) e baixa pressão nos pneus.
Diferentemente de uma excursão de pista durante o pouso, o evento em Munique envolveu uma aeronave que continuou a decolagem além do limite da pista antes de sair completamente do solo. O tail strike refere-se ao contato entre a parte inferior da fuselagem traseira e o solo durante a rotação, e não ao impacto das superfícies de cauda verticais ou horizontais com a pista.
Aeronave estava próxima de 240 toneladas
A aeronave envolvida, VN-A867, tinha peso de decolagem estimado em cerca de 240 toneladas. O peso máximo de decolagem do 787-9 é de aproximadamente 254 toneladas, dependendo da variante, o que indica que a aeronave estava pesada, mas não necessariamente no limite estrutural.
As condições meteorológicas não sugerem, de imediato, uma explicação ambiental óbvia para a decolagem excepcionalmente longa. A visibilidade era de pelo menos 10 quilômetros, os ventos estavam em torno de 3 nós e a temperatura era de 33°C.

Havia 271 passageiros e 16 tripulantes a bordo. Os quatro pilotos somavam, segundo relatos, 63.938 horas de voo, incluindo 19.675 horas no Boeing 787.
Após sair do solo, a tripulação permaneceu nas proximidades de Munique por mais de duas horas, reduzindo o peso da aeronave antes de retornar ao aeroporto. O 787 realizou várias aproximações antes de pousar em segurança.
Quatro dos oito pneus danificados
A extensão dos danos ao trem de pouso também ficou mais clara após o retorno da aeronave. Informações preliminares indicam que quatro dos oito pneus do trem principal perderam pressão, sendo três no trem principal esquerdo e um no direito.
Também foi constatado dano na parte inferior da fuselagem traseira, compatível com o tail strike reportado pelos sistemas de alerta da aeronave.
O VN-A867 não conseguiu deixar a pista por meios próprios após o pouso, obrigando o Aeroporto de Munique a fechar a pista norte enquanto a aeronave era removida.

A sequência descrita pelos pilotos levanta uma questão importante sobre o que causou as alterações anormais na aceleração durante a corrida de decolagem. Imagens e relatos geraram especulações sobre possível envolvimento do sistema de freios, mas os investigadores ainda não apontaram essa causa.
O Escritório Federal de Investigação de Acidentes Aeronáuticos da Alemanha (BFU) lidera a investigação. Os dados dos gravadores de voo devem permitir aos investigadores reconstruir a velocidade, potência dos motores, frenagem e outros parâmetros do sistema durante a corrida de decolagem e determinar por que o 787 não acelerou normalmente.
O VN-A867 é um Boeing 787-9 com 10 anos, equipado com motores GE Aerospace GEnx. Foi entregue à Vietnam Airlines em abril de 2016 e é um dos seis 787-9 operados pela companhia, além de 11 787-8.
