A Boeing e o sindicato que representa cerca de 17 mil engenheiros e técnicos chegaram a um acordo preliminar para um novo contrato coletivo de trabalho de quatro anos, reduzindo o risco imediato de uma nova greve no fabricante norte-americano de aeronaves.

A Society of Professional Engineering Employees in Aerospace (SPEEA) anunciou o acordo após semanas de negociações com a Boeing. Os membros do sindicato ainda precisam votar a proposta antes que ela entre em vigor.

O acordo contempla duas unidades de negociação na região de Puget Sound: aproximadamente 12 mil engenheiros representados pela Unidade Profissional da SPEEA e cerca de 5 mil funcionários da Unidade Técnica.

Os trabalhadores desempenham papel fundamental nas operações comerciais e de defesa da Boeing, com engenheiros e técnicos atuando em projetos de aeronaves, testes, suporte à produção e programas de certificação.

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Pelo contrato proposto, os funcionários receberiam um aumento geral de 10% nos salários assim que o acordo entrar em vigor, seguido de novo reajuste de 4% em março de 2027. Estão previstos fundos salariais de 6% para cada um dos três anos seguintes, com garantia de aumento mínimo de 4% para cada trabalhador.

A proposta também inclui mudanças nas regras de horas extras, trabalho remoto, progressão de carreira e medidas de retenção. As equipes de negociação da SPEEA recomendaram a aprovação do acordo pelos membros.

Boeing 737 MAX 10 (Boeing)
Boeing 737 MAX 10 (Boeing)

Contratos vencem em 6 de outubro

A nova proposta foi apresentada após a rejeição de uma oferta anterior da Boeing em agosto. Cerca de 64% dos engenheiros e 72% dos técnicos votaram contra aquele contrato, mesmo com recomendação favorável dos negociadores do sindicato.

Os membros da SPEEA também autorizaram uma greve na votação anterior, aumentando a pressão sobre a Boeing para retomar as negociações. Os contratos atuais vencem em 6 de outubro, o que significa que uma paralisação pode começar a partir de 7 de outubro caso a nova proposta seja rejeitada e não haja novo acordo.

Uma greve ocorreria em um momento delicado para a Boeing. A empresa busca ampliar a produção do 737 MAX enquanto vários programas importantes de desenvolvimento e certificação seguem em andamento, incluindo o 737 MAX 7, MAX 10 e 777-9.

A Boeing já enfrentou significativa paralisação trabalhista nos últimos anos. Mais de 30 mil trabalhadores da produção representados pela International Association of Machinists and Aerospace Workers fizeram greve por sete semanas em 2024, interrompendo temporariamente a produção de várias aeronaves da Boeing na região de Seattle.

A expectativa é que os membros da SPEEA votem a nova proposta antes do vencimento dos contratos atuais.