Boeing não vai lançar superjumbo para mil passageiros

Boato que circula nas redes sociais afirma que fabricante americana está pronta para colocar no mercado gigante de passageiros com tecnologia “Blended Wing Body”
O “flagra” do Superjumbo da Boeing: imagem digital alimenta boato há mais de uma década
O “flagra” do Superjumbo da Boeing: imagem digital alimenta boato há mais de uma década

A história é antiga mas sempre volta à tona ainda mais agora quando a Boeing de fato deve lançar o 797, seu novo jato comercial. Segundo um texto e vídeo que circulam em redes sociais, a fabricante americana estaria pronta para enfrentar a Airbus com um avião gigantesco, com capacidade para 1000 passageiros.

Quem lê o artigo acaba “sabendo” que a Boeing escondeu tal aeronave por muito tempo, mas que um fotógrafo amador conseguiu registrar o avião misterioso no “mês passado”. O “797” será, segundo o texto, um gigante que usará o conceito “Blended Wing Body”, que consiste numa fuselagem em formato de asa em que os passageiros seriam acomodados em diversas fileiras, daí a capacidade semelhante ao rival Airbus A380.

Para o autor do texto, a Boeing “remodelará a indústria do turismo aéreo para os próximos 100 anos”. Tudo em conjunto com a NASA, a agência espacial americana. Até dimensão do avião é informada: 80,7 metros de envergadura, assim tornando-o capaz de operar nos aeroportos atuais.

Em tempos de “fake news”, o boato encontrou um campo propício para se espalhar se comparado a quando surgiu de fato, no longínquo ano de 2006, época em que as redes sociais ainda engatinhavam. É claro que se trata de uma informação absurda e que abusa de fatos reais isolados para criar repercussão pela informação “espetacular” que dissemina entre os menos atentos.

Ideia boa, mas ainda cheia de desafios

De fato, o design “Blended Wing Body” está sendo estudado pela Boeing e a NASA na forma do protótipo X-48, uma aeronave não-tripulada que voou entre 2007 e 2013. Mas aplicar esse aprendizado no mercado de aviação comercial é um desafio e tanto, de acordo com Mike Sinnett, vice-presidente da Boeing para desenvolvimento de novos aviões. Para ele, a configuração funciona por ser econômica afinal há um enorme espaço interno disponível, mas existem problemas para sua aplicação civil.

Boeing X-48: por enquanto, este é a única parte real do projeto de um jato (Blended Wing Body) (NASA)

Um dos entraves está no tamanho que esse avião teria. É preciso, por exemplo, oferecer uma cabine alta o suficiente para permitir a circulação de 95% dos passageiros sem que eles batam a cabeça no teto. Acrescente-se a isso a necessidade de bagageiros e espaço para cabos, sistemas e ventilação e o hipotético avião já terá um tamanho muito elevado. “Isso significa que você tem que ter uma certa altura. Depois de ter uma certa altura, você precisa ter uma certa largura para a ‘caixa’ funcionar ”, disse ele. “Isso se traduz em uma determinada envergadura. Você tem um avião realmente grande nesse ponto”, explicou Sinnett ao site Leeham News em abril.

Outra restrição do conceito é só funcionar em longas distâncias acima de 4 horas de voo (o BWB é subsônico) quando as vantagens de sua fuselagem seria realmente significativas. Ou seja, a aeronave teria de ser imensa o que afeta outra questão, o espaço nos aeroportos (ao contrário do que divulga o texto falso).

Não é apenas isso. Existe ainda outro complicador, a impossibilidade de criar famílias de aviões. Hoje a arquitetura de fuselagem e asa permite ampliar modelos e aproveitar parte dos componentes, barateando o produto no final. Uma aeronave BWB tem um formato único e cada tamanho exigiria um projeto próprio.

Boeing 797 real

Outra verdade misturada aos fatos inventados está no lançamento do 797 pela Boeing. A fabricante realmente deve lançar um novo jato comercial, como Airway vem mostrando nos últimos meses, mas ele em nada lembra o gigantesco avião do boato. Trata-se de um birreator intermediário entre o 737 e o 787 e que deve ser batizado como 797 – por enquanto é conhecido como NMA, New Mid-size Airplane ou avião de média capacidade.

A Boeing está conversando com várias companhias aéreas para chegar a um formato viável de aeronave capaz de substituir o 757, mas também ser uma alternativa mais interessante para voos internacionais em rotas de média capacidade – onde um 787-8 é grande demais, por exemplo.

Por enquanto, esse projeto é aguardado apenas para 2025, na melhor hipótese. E será bem mais parecido com os aviões atuais do que com impressionante conceito “Blended Wing Body”, por mais que muita gente tenha sonhado em ver o boato virar realidade.

Veja também: O que o futuro reserva para a aviação comercial?

O verdadeiro Boeing 797 deve ficar parecido com essa projeção (Fly Away)

 

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