A Boeing voltou a focar nos estudos de um novo avião comercial ligeiramente acima do 737 e onde a Airbus consolidou forte vantagem com a família A321neo.

Segundo uma reportagem da Bloomberg, a fabricante dos EUA deve iniciar trabalhos preliminares do projeto em 2027, com previsão de lançamento para o final da década e entrada em serviço em meados dos anos 2030.

A aeronave em avaliação ocuparia o espaço entre os tradicionais modelos de corredor único e widebodies menores, retomando conceitos anteriormente associados aos estudos do New Mid-market Airplane (NMA) da Boeing, projeto que chegou a ser apelidado informalmente de ‘797’.

Embora a Bloomberg descreva a aeronave como possível sucessora do 737, o conceito parece mais alinhado ao segmento de maior capacidade atualmente dominado pelo Airbus A321neo.

Airbus A321neo da LATAM Chile (Maurice Becker)
Airbus A321neo da LATAM Chile (Maurice Becker)

A reportagem sugere que a futura família da Boeing pode começar com dimensões próximas ao atual 737 MAX 10, que comporta até 230 passageiros, com possibilidade de expansão para versões ainda mais capazes.

Na última década, as companhias aéreas migraram gradualmente para aeronaves de corredor único maiores, com maior alcance e capacidade de passageiros.

No segmento de menor capacidade, modelos como o Boeing 737 MAX 7 e o Airbus A319neo, por outro lado, enfrentam baixa demanda, enquanto jatos de nova geração como o Airbus A220 e o Embraer E195-E2 ganham destaque pelo menor peso e eficiência aprimorada em rotas de menor demanda.

O ‘797’ posicionado entre o 737 e o 787: chegada em 2025 (Boeing)
O ‘797’ posicionado entre o 737 e o 787: chegada em 2025 (Boeing)

Abordagem de menor risco

O artigo afirma que a Boeing está adotando uma abordagem de menor risco, baseada em tecnologias convencionais, em vez de conceitos mais radicais explorados anteriormente.

A empresa teria desistido do conceito Transonic Truss-Braced Wing (TTBW), que visava um jato de enormes asas altas apoiados em suportes, e agora estuda uma fuselagem tubular tradicional, equipada com motores turbofan de grande diâmetro.

A expectativa é que a aeronave tenha asas eficientes, com maior envergadura, perfis mais finos e pontas dobráveis semelhantes às do Boeing 777X.

Conceito de aeronave com asa treliçada transônica foi abandonado (Boeing)
Conceito de aeronave com asa treliçada transônica foi abandonado (Boeing)

De acordo com a reportagem, equipes da Boeing já discutem o tema com fornecedores enquanto avaliam tecnologias que podem estar disponíveis na próxima década.

Os estudos incluem conceitos de cockpit redesenhados para melhorar a interação dos pilotos, além de avaliações de configurações alternativas de propulsão, como um pequeno motor auxiliar próximo à seção traseira. A Boeing também discute tecnologias futuras de propulsão com fabricantes de motores.

Motor CFM Rise não teria chamado atenção da Boeing (CFM)
Motor CFM Rise não teria chamado atenção da Boeing (CFM)

A empresa, no entanto, teria demonstrado pouco interesse em adotar conceitos de propulsão open-fan, como o demonstrador CFM RISE, tecnologia apoiada pela Airbus como possível caminho para futuros programas de aviação comercial. Em vez disso, a Boeing preferiria arquiteturas de motores carenados, incluindo possíveis desenvolvimentos futuros derivados da tecnologia RISE.

Grande parte da estratégia de produtos futuros da Boeing segue atrelada à certificação do 777-9, que ainda consome considerável volume de recursos de engenharia da empresa. Somente após liberar mão de obra desse projeto, a empresa passaria a se concentrar na nova aeronave, diz a Forbes.