A Bombardier fechou acordo para adquirir os ativos da MHI Canada Aerospace (MHICA) em Mississauga, Ontário, da Mitsubishi Heavy Industries, e com isso assumirá o controle de um fornecedor de longa data de aeroestruturas para seus jatos executivos.
A transação inclui a operação da MHICA e seus cerca de 750 funcionários. Os termos financeiros não foram divulgados, e a conclusão é esperada para o final de 2026, sujeita à aprovação regulatória e outras condições de fechamento.
Siga AIRWAY: WhatsApp | Instagram | LinkedIn | Twitter | Facebook
A MHICA fabrica estruturas para diversas aeronaves da Bombardier. Suas atividades abrangem trabalhos na asa e na fuselagem central dos jatos executivos Global e montagem de asas para a família Challenger. Segundo a Bombardier, a aquisição aumentará a quantidade de trabalho de aeroestruturas realizado internamente e reduzirá a dependência de fornecedores externos.
A Mitsubishi fornecerá suporte durante um período de transição após a conclusão da transação.

Laços paralelos
A venda cria uma situação incomum entre duas empresas cujos negócios na aviação estiveram conectados por meio de dois relacionamentos distintos.
A MHICA iniciou sua colaboração com a Bombardier em 1996, quando a MHI estabeleceu uma operação dentro de uma fábrica da Bombardier no Canadá para finalizar estruturas fabricadas no Japão. A empresa japonesa constituiu a MHICA em Ontário em 2006 e abriu uma unidade em Mississauga no ano seguinte para atuar nos jatos executivos Global.
A montagem de asas do Challenger foi incorporada em 2008. A operação mudou-se para uma instalação maior, de 25 mil metros quadrados, em 2012, e passou por nova expansão em 2019.

Essa relação de fornecimento é distinta da aquisição, pela Mitsubishi, do programa de jatos regionais CRJ da Bombardier, embora as duas operações tenham deixado ambas as empresas com atividades significativas na aviação no Canadá ao mesmo tempo.
Em 2019, a Mitsubishi concordou em pagar US$ 550 milhões à Bombardier pelo programa CRJ e assumir cerca de US$ 200 milhões em passivos. A transação foi concluída em junho de 2020, quando a Bombardier deixou de fabricar aeronaves comerciais para se concentrar nos jatos executivos.
O acordo do CRJ incluiu os certificados de tipo da aeronave, suporte ao cliente, manutenção, reforma, marketing e atividades de vendas. Não incluiu a produção do CRJ. A Bombardier manteve a linha de montagem de Mirabel para concluir o restante da carteira de pedidos antes do fim da produção.
Notícias recentes
A Mitsubishi tinha outro motivo para adquirir o negócio. Na época, desenvolvia o SpaceJet e pretendia utilizar a estrutura de suporte do CRJ e sua infraestrutura na América do Norte para seu próprio programa de aeronaves regionais.
Essa aeronave nunca entrou em serviço. A MHI suspendeu o desenvolvimento do SpaceJet em 2020 e cancelou formalmente o programa em 2023. O negócio do CRJ sobreviveu como MHI RJ Aviation Group e permanece sob controle da Mitsubishi, prestando serviços de pós-venda para a frota existente de CRJ.

Caminhos opostos
A transação mais recente, portanto, não envolve a Bombardier readquirindo uma operação vendida junto com o CRJ. A MHICA sempre foi um negócio da Mitsubishi e se desenvolveu como fornecedora da Bombardier, e não como parte da antiga divisão de aeronaves comerciais do fabricante canadense.
Mesmo assim, as duas transações ilustram a inversão nas estratégias das empresas desde 2020.
Quando a Mitsubishi adquiriu o negócio do CRJ, a Bombardier estava vendendo programas de aeronaves após transferir o C Series para a Airbus e se desfazer da operação do Q Series. A Mitsubishi, por sua vez, investia na infraestrutura necessária para sua planejada entrada no mercado de aeronaves regionais.
Seis anos depois, o SpaceJet foi cancelado e a Mitsubishi está vendendo sua operação de aeroestruturas no Canadá. A Bombardier segue focada em jatos executivos, mas agora está adquirindo um fornecedor responsável por parte da produção dessas aeronaves.
As duas empresas ainda manterão outro vínculo após a conclusão da transação da MHICA: a Mitsubishi continuará sendo proprietária do antigo negócio do CRJ da Bombardier por meio da MHI RJ Aviation Group.



