O custo estimado de aquisição do programa F-35 aumentou em US$ 51 bilhões, com uma nova avaliação do Pentágono também projetando custos unitários mais altos para as três versões do caça após mais de uma década em que o aumento da produção ajudou a reduzir drasticamente os preços.
O relatório Modernized Selected Acquisition Report (MSAR) mais recente, divulgado pelo Departamento de Defesa dos EUA em agosto, estima o custo de aquisição do programa em US$ 536,2 bilhões, ante US$ 485,2 bilhões na avaliação anterior de 2023.
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O aumento de cerca de 10,5% cobre as aeronaves e motores que o governo dos EUA planeja adquirir, além dos gastos com desenvolvimento. Não representa o custo muito maior de operação e manutenção da frota de F-35 ao longo de sua vida útil.
A inflação explica parte do aumento, mas o Pentágono também aponta custos mais altos observados em contratos de produção recentes e uma conta crescente para modernização, incluindo as capacidades do Block 4, o novo radar APG-85, a atualização do núcleo do motor F135 (ECU) e uma nova atualização de gerenciamento de energia e térmica (PTMU).

Os custos de pesquisa, desenvolvimento, teste e avaliação aumentaram sozinhos em aproximadamente US$ 19 bilhões, chegando a US$ 106,6 bilhões, segundo o relatório. Os custos de aquisição respondem por quase US$ 32 bilhões do aumento restante.
Preços do F-35 invertem trajetória de queda
As novas estimativas surgem após um período em que a redução dos custos de produção do F-35 se tornou um dos principais feitos do programa.
O F-35A de decolagem e pouso convencionais custava mais de US$ 250 milhões por unidade no primeiro lote de produção de baixa cadência. No Lote 11, o preço recorrente de entrega havia caído para US$ 89,2 milhões.
A queda continuou com a ampliação da produção. Um F-35A custou US$ 82,4 milhões no Lote 12, US$ 79,2 milhões no Lote 13 e US$ 77,9 milhões no Lote 14.
As outras versões seguiram curva semelhante. O F-35B de decolagem curta e pouso vertical caiu de US$ 115,5 milhões no Lote 11 para US$ 108 milhões no Lote 12, US$ 104,8 milhões no Lote 13 e US$ 101,3 milhões no Lote 14.
O F-35C, adaptado para porta-aviões, caiu de US$ 107,7 milhões no Lote 11 para US$ 103,1 milhões, US$ 98,1 milhões e finalmente US$ 94,4 milhões nos três lotes seguintes.

Esses valores incluem o motor e representam preços nominais de anos diferentes, não podendo ser tratados como série histórica ajustada pela inflação.
Ainda assim, a tendência mudou nos Lotes 15 a 17. O Escritório do Programa Conjunto do F-35 estimou o preço médio de entrega nesses três lotes em US$ 82,5 milhões para o F-35A, US$ 109 milhões para o F-35B e US$ 102,1 milhões para o F-35C.
Em relação ao Lote 14, os aumentos nominais foram de cerca de 6% para o F-35A, 8% para o F-35B e 8% para o F-35C.
A inflação foi fator importante. A Lockheed Martin informou que a parte referente à aeronave do F-35A subiu em média 6,5% entre os Lotes 14 e 17, menos que a inflação do período.
As aeronaves também passaram por mudanças. O Lote 15 introduziu o Technical Refresh 3, ou TR-3, a nova arquitetura computacional necessária para viabilizar muitas das capacidades previstas no Block 4.

Pentágono prevê aumento real de custos
A avaliação mais recente do Pentágono indica que a mudança não se deve apenas à inflação.
As estimativas de Unit Recurring Flyaway são expressas em dólares constantes de 2012, permitindo comparar projeções anteriores e atuais sem o efeito da variação do valor do dólar.
Para o F-35A, a estimativa subiu de US$ 72,7 milhões para US$ 78 milhões, alta de 7,3%. O F-35B apresenta o maior aumento, de US$ 99,8 milhões para US$ 110,3 milhões, ou cerca de 10,5%. O F-35C subiu de US$ 87,7 milhões para US$ 93,4 milhões, cerca de 6,6%.
Os números são estimativas do programa, não preços de um lote específico, mas indicam que o Pentágono agora espera custos recorrentes de produção mais altos em termos reais do que previa anteriormente.

Os preços dos Lotes 18 e 19 dificultam uma comparação direta. A Lockheed Martin recebeu um contrato de US$ 24,29 bilhões para 296 aeronaves, enquanto os motores F135 são contratados separadamente.
A Pratt & Whitney recebeu um contrato de US$ 2,8 bilhões para produção do F135 do Lote 18 em 2025, incluindo motores de produção, sobressalentes, módulos e suporte associado. Contratações subsequentes cobrem os motores para a aquisição em dois lotes.
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O Pentágono não divulgou publicamente preços individuais diretamente comparáveis para cada versão do F-35 nos Lotes 18 e 19.
Block 4 adiciona capacidades e custos
Parte da mudança na estrutura de custos vem de um F-35 consideravelmente diferente das aeronaves produzidas no período de maior queda dos preços unitários.
O TR-3 fornece o hardware computacional necessário para o Block 4, pacote que visa adicionar novas armas, sensores, capacidades de guerra eletrônica, poder de processamento e funções de rede.
A modernização cresceu consideravelmente em relação ao escopo e cronograma originais. O Block 4 foi inicialmente planejado com cerca de 66 capacidades a um custo estimado de desenvolvimento de aproximadamente US$ 10,6 bilhões, com conclusão prevista para o ano fiscal de 2026. Estimativas posteriores elevaram o custo para cerca de US$ 16,5 bilhões e a conclusão para o final da década, à medida que o conteúdo planejado se expandiu.

O Pentágono reestruturou o esforço, priorizando um grupo menor de capacidades críticas em vez de entregar o pacote completo inicialmente previsto.
Entre as principais mudanças de hardware está o radar APG-85 de varredura eletrônica ativa, que substituirá o APG-81 nas futuras aeronaves.
A eletrônica adicional também traz outro desafio: energia e calor.
Mais recursos para atualização do F135
O Pentágono concedeu à Pratt & Whitney uma nova modificação contratual de até US$ 240,8 milhões em 27 de agosto para dar continuidade ao desenvolvimento da atualização do núcleo do motor F135.
A ECU visa modificar o F135 existente, não substituí-lo, oferecendo capacidade adicional para suportar o Block 4 e futuras configurações do F-35, ao mesmo tempo em que melhora a durabilidade do motor e resolve questões operacionais.
O contrato mais recente financia engenharia não recorrente enquanto a ECU avança do trabalho de redução de riscos para o desenvolvimento de engenharia e fabricação. Inclui também hardware de longo prazo para um motor de teste sobressalente. O trabalho deve seguir até março de 2028.
O governo dos EUA já havia concedido à Pratt & Whitney um contrato com teto inicial de cerca de US$ 1,3 bilhão para atividades de projeto, análise, testes, integração e desenvolvimento da ECU.

O programa atingiu recentemente outra etapa importante. A ECU estava programada para passar por sua revisão crítica de projeto em agosto, embora os testes em voo só devam ocorrer por volta de 2030.
Um esforço separado, o PTMU, busca atender às crescentes demandas de geração elétrica e gerenciamento térmico do F-35.
Juntos, TR-3, Block 4, APG-85, ECU e PTMU ilustram por que comparar o preço de um F-35 futuro diretamente com os US$ 77,9 milhões do F-35A do Lote 14 se torna cada vez mais difícil.
O programa de produção que passou anos reduzindo o custo de versões essencialmente amadurecidas do caça agora precisa incorporar uma nova geração de capacidades em computação, sensores, armamentos, energia e propulsão.
A avaliação mais recente do Pentágono indica que, mesmo descontando a inflação, essas mudanças — somadas ao aumento dos custos de fornecedores e produção — alteraram a trajetória de custos que fez os preços do F-35 caírem durante boa parte da década passada.



