A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) está acompanhando o desenvolvimento do recém-revelado AIM-424 Malice da Marinha dos EUA, o que levanta a possibilidade de que o míssil ar-ar de longo alcance possa, futuramente, ter aplicações além da aviação embarcada.

“A Força Aérea está acompanhando de perto o progresso da Marinha no Programa AIM-424 Long Range Air-to-Air Missile”, afirmou um porta-voz do serviço à Air & Space Forces Magazine em 24 de agosto. A USAF recusou-se a responder a perguntas adicionais, e até o momento não há confirmação de planos para adquirir ou integrar o armamento.

O interesse chama atenção porque as duas forças historicamente adotaram abordagens diferentes para engajamentos ar-ar em distâncias extremas.

A Marinha desenvolveu o AIM-54 Phoenix para proteger grupos de porta-aviões contra bombardeiros soviéticos e outras ameaças a longas distâncias. Em conjunto com o F-14 Tomcat e seu potente radar AWG-9, o míssil oferecia capacidade de engajamento próxima de 100 milhas náuticas (185 km). Tanto o caça quanto o míssil foram retirados do serviço nos EUA em 2006.

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Já a Força Aérea, por sua vez, utilizou principalmente o AIM-7 Sparrow antes de migrar para o AIM-120 AMRAAM, armamentos também amplamente empregados pela Marinha. Atualmente, as duas forças estão introduzindo o AIM-260 Joint Advanced Tactical Missile (JATM), projetado para oferecer desempenho significativamente superior mantendo compatibilidade com os compartimentos internos de armamentos dos caças atuais.

Míssil AIM-424 LRAAM (Malice)
Míssil AIM-424 LRAAM (Malice) | US Navy

O Malice pertence a uma categoria diferente. A Marinha atribui ao AIM-424, desenvolvido pela Raytheon, alcance superior a 250 milhas náuticas (463 km). Com 4,11 m de comprimento e cerca de 680 kg, é consideravelmente maior que um AMRAAM, mas ainda pode ser transportado internamente pelo F-35C.

Possível caminho para a Força Aérea

Pode haver também uma ligação histórica entre o Malice e projetos anteriores da USAF. A Aviation Week informou que o AIM-424 utiliza uma configuração de dois estágios semelhante à do Long Range Engagement Weapon (LREW), iniciativa conduzida nos anos 2010 enquanto a Força Aérea também desenvolvia o que se tornaria o AIM-260. Diferentemente do JATM, o LREW explorava um armamento substancialmente maior, voltado para engajamentos a distâncias muito superiores.

A Marinha afirma que o AIM-424 é destinado a aeronaves de quarta, quinta e sexta gerações. As plataformas atualmente identificadas incluem o F/A-18E/F Super Hornet, F-35C e o futuro F/A-XX.

Essa descrição torna o interesse da USAF particularmente relevante para o seu caça de sexta geração Boeing F-47, embora nem a Força Aérea nem a Marinha tenham confirmado a integração do Malice à aeronave.

Renderizações do F/A-XX (Northrop Grumman)
Renderizações do F/A-XX (Northrop Grumman)

O AIM-424 pode ainda oferecer algo que o AIM-174B da Marinha não consegue proporcionar facilmente aos caças furtivos atuais da USAF. Derivado do SM-6, o AIM-174B oferece capacidade ar-ar de alcance muito longo, mas é grande demais para ser transportado internamente pelo F-22 ou F-35.

Enquanto isso, a Força Aérea trabalha em um armamento ainda mais ambicioso. O programa Air Force Long Range Weapon prevê engajamentos a distâncias superiores a 1.000 milhas náuticas (1.852 km) e inclui alvos aéreos e de superfície, colocando-o em uma categoria diferente do Malice.